Estratégia adotada na reta final da campanha será incorporada à rotina do próximo mandato, indicam aliados

André Janones e LulaCrédito: Ricardo Stuckert
247 – O empenho no ambiente digital para estabelecer um canal direto e contínuo com os brasileiros consolidou-se como um dos principais aprendizados da campanha do presidente Lula (PT) no segundo turno das eleições de 2026, e a expectativa de auxiliares é que essa atuação ágil nas plataformas virtuais se torne uma marca permanente do seu quarto mandato, informa Igor Gadelha, do Metrópoles.
A guinada comunicacional ganhou força logo após o encerramento da primeira etapa da disputa, momento em que Flávio Bolsonaro (PL) despontava à frente. Diante do quadro adverso, o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), sugeriu ao chefe do Executivo a gravação de vídeos em formato selfie direcionados às redes.
Mesmo com um receio inicial sob o argumento de que não deixaria de praticar a política presencial nas ruas, a resistência do presidente durou pouco. A adesão ao novo formato ocorreu após Lula constatar rapidamente o retorno positivo por parte do eleitorado digital. Integrantes da equipe de campanha entenderam que a capacidade de convencimento e a articulação política do presidente precisavam ocupar também o ambiente virtual, enxergando na ferramenta um caminho para restabelecer vínculos com setores populares que se encontravam afastados nos últimos anos.
O acolhimento vindo dos usuários das plataformas entusiasmou o mandatário. Conforme relatos de aliados, a resposta na internet integrada às mobilizações de rua fortaleceu a resiliência do presidente no segundo turno, demonstrando que as ações virtuais e as agendas presenciais podem caminhar juntas de forma complementar.
Nesse processo de aproximação com a tecnologia, Fonteles presenteou Lula com um celular na reta final da disputa. Com o novo aparelho, o presidente começou a enviar gravações em vídeo e áudios diretamente para o canal “Exército do Lula”, espaço de mobilização popular idealizado pelo deputado André Janones (Rede-MG).
A mudança de postura ficou evidente durante uma transmissão ao vivo com Janones a poucos dias da votação. Na ocasião, o parlamentar pediu desculpas ao presidente por ele ter de disputar o segundo turno contra o que classificou de “adversário desqualificado”. A reação descontraída de Lula expôs a superação das reticências iniciais em relação ao ambiente digital.
“Eu, Janones, na verdade, estou até gostando, porque agora eu descobri duas coisas: as pessoas me chamam de fofinho. Quem é que não quer ser fofinho?”, brincou Lula.
A relevância estratégica da comunicação digital no futuro do governo já foi antecipada pelo próprio presidente em seu pronunciamento após a confirmação do resultado das urnas, quando garantiu que a população participará ativamente das decisões do país e que as ferramentas virtuais ocuparão um papel central em sua nova gestão.