Terceiro achado no poço Morpho reforça expectativas sobre o potencial exploratório da Margem Equatorial
- Fernando Frazão / Agência Brasil
APetrobras anunciou nesta quinta-feira (29) a terceira descoberta de petróleo no poço Morpho, localizado em águas ultraprofundas da Bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá.
A análise preliminar aponta a presença de óleo leve, com grau API entre 35 e 40, considerado de alta qualidade pelos padrões da indústria petrolífera.
As três descobertas ocorreram em uma única perfuração no bloco FZA-M-59, após avaliações contínuas iniciadas em agosto de 2026.
Com a conclusão das operações no poço, a sonda seguirá para a Bacia Potiguar, enquanto a estatal já planeja retornar à região com uma nova plataforma em 2027.
A nova descoberta foi confirmada após a identificação de mais um intervalo com petróleo, dando sequência aos achados anteriores divulgados em agosto e no início de outubro de 2026.
A perfuração e a aquisição de dados geológicos foram concluídas, e o poço atingiu 7.081 metros de profundidade total, dos quais 2.886 metros correspondem à lâmina d’água, distância entre a superfície do mar e o fundo oceânico.
A qualidade do petróleo encontrado chama atenção.
A análise preliminar indica grau API entre 35 e 40, classificação que coloca o óleo do Morpho na categoria de petróleo leve, acima de campos consolidados do pré-sal brasileiro.
No campo de Tupi, por exemplo, o grau API gira em torno de 28, enquanto no campo de Jubarte, na Bacia de Campos, fica próximo de 17, caracterizando um petróleo pesado.
O grau API é uma escala internacional utilizada para medir a densidade relativa do petróleo bruto. Quanto maior o número, mais leve tende a ser o óleo, o que geralmente favorece seu processamento nas refinarias para a produção de derivados como gasolina, diesel e querosene de aviação.
Segundo fontes ouvidas pela imprensa, o petróleo encontrado no Morpho apresenta características semelhantes às do óleo extraído na Guiana, país vizinho que se tornou referência em descobertas de petróleo leve no Atlântico equatorial.
Magda Chambriard comemora descoberta de petróleo
Em nota oficial, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, avaliou que “a persistência técnica permitiu que fossem realizadas três descobertas no mesmo poço” e afirmou que o resultado “nos deixa ainda mais otimistas em relação ao potencial exploratório da Margem Equatorial”.
O entusiasmo da presidente da estatal com o potencial da região não é recente.
Em outubro, Chambriard já havia classificado o petróleo encontrado no poço Morpho como “maravilhoso”, comparando sua qualidade à do óleo de Urucu, no Amazonas.
Em agosto, durante uma visita às operações da Petrobras no Amapá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também demonstrou entusiasmo com as características do petróleo encontrado.
“Parece que está refinado já de tão leve. Temos a chance de ter um petróleo muito chique”, afirmou Lula na ocasião.
Petrobras planeja perfurar mais três poços em 2027
Com a conclusão das operações no Morpho, a sonda utilizada na perfuração seguirá para a Bacia Potiguar, na costa do Rio Grande do Norte.
Na região, o equipamento será utilizado na perfuração da locação Mãe de Ouro, dando continuidade às atividades exploratórias da Petrobras.
Na Foz do Amazonas, a estatal pretende ampliar as investigações sobre o potencial petrolífero da região.
A empresa planeja perfurar mais três poços no bloco FZA-M-59 a partir de janeiro de 2027, com o objetivo de delimitar o tamanho da reserva e obter informações mais precisas sobre seu potencial de produção.
O início das novas operações depende da chegada da plataforma de perfuração NS-43, atualmente alocada no campo de Búzios.
Margem Equatorial é uma das principais apostas da Petrobras
A Bacia da Foz do Amazonas integra um conjunto de cinco bacias que formam a chamada Margem Equatorial, faixa marítima que se estende do litoral do Amapá até o Rio Grande do Norte.
A região é considerada uma das últimas grandes fronteiras exploratórias de petróleo e gás natural do Brasil e ocupa posição estratégica nos planos de expansão das reservas da Petrobras.
A presença da estatal na região tem origem na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizada em 2013.
Na ocasião, a Petrobras arrematou os blocos 57, 86, 88, 125 e 127 na Bacia da Foz do Amazonas, todos em processo de licenciamento.
Em junho de 2025, a empresa ampliou sua participação na região ao adquirir mais 10 blocos na mesma bacia, durante o 5º Ciclo de Oferta Permanente, em parceria com a Exxon.
Desse total, a Petrobras será responsável pela operação de cinco blocos.
A sequência de descobertas no poço Morpho reforça a aposta da estatal na Margem Equatorial como uma das principais alternativas para ampliar suas reservas de petróleo nos próximos anos.
A exploração na região, no entanto, também envolve questões ambientais relevantes, especialmente pela proximidade com ecossistemas sensíveis da Foz do Amazonas e áreas protegidas.
Essas preocupações continuam presentes nas discussões sobre o licenciamento ambiental das atividades petrolíferas e nas etapas que ainda serão necessárias para viabilizar uma eventual produção comercial na região.
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