Aliados de Flávio Bolsonaro se queixam de oportunismo de Tarcísio ao se lançar candidato para 2030

Fala sobre disputa à Presidência quatro dias após eleição causa atrito na oposição e amplia racha no PL

Tarcísio de FreitasCrédito: Reprodução/YouTube/Estadão

247 – O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), virou alvo de duras críticas entre aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao admitir publicamente que pode concorrer à Presidência da República em 2030. Integrantes do PL enxergaram oportunismo na manifestação, feita apenas quatro dias após a vitória do presidente Lula (PT) sobre Flávio nas urnas. A leitura interna é de que o gestor paulista “queimou a largada” na corrida pelo Planalto no momento em que o filho de Jair Bolsonaro (PL) busca se firmar como principal liderança do movimento conservador, informa o jornal O Globo.

O mal-estar eclode justamente na fase inicial de reorganização da direita. Embora tenha fugido do Brasil nesta semana com destino aos Estados Unidos, Flávio sinalizou a interlocutores que pretende manter a liderança da oposição a Lula. Em conversas com Eduardo Bolsonaro (PL) e aliados em solo norte-americano, o senador avalia anunciar nos próximos dias sua pré-candidatura ao Planalto para 2030, em uma manobra para blindar seu protagonismo político.

A movimentação de Tarcísio não é a única a acender o alarme no grupo ligado ao senador. A atuação da senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) também é acompanhada com ressalvas por setores que defendem a centralidade de Flávio no projeto da oposição.

Entre os aliados do parlamentar do PL, a fala de Tarcísio foi considerada especialmente inoportuna. Em conversas reservadas, membros da legenda afirmam que o governador se apressou em ocupar o vácuo político antes mesmo de a direita processar o resultado das urnas. O incômodo é acentuado pelo histórico recente, já que Tarcísio participou ativamente da campanha de Flávio e endossou publicamente a indicação feita por Jair Bolsonaro.

Parlamentares da oposição pedem cautela e ponderam que antecipar a sucessão de 2030 é precipitado. Faltando anos para o pleito e antes mesmo do início do quarto mandato de Lula, a avaliação é que o quadro político passará por profundas transformações. Para esses parlamentares, a prioridade imediata do campo conservador deve ser a reestruturação da oposição e o alinhamento das ações no Congresso Nacional a partir de 2027.

O atrito recente reabre feridas da própria construção da chapa presidencial deste ano. Durante as articulações internas, Tarcísio mantinha a expectativa de ser o nome indicado pelo bolsonarismo para a disputa nacional. No entanto, Jair Bolsonaro optou por lançar o próprio filho, enquanto o ex-ministro disputou e venceu a reeleição ao governo paulista em primeiro turno.

Ao longo da campanha, Tarcísio esteve em agendas com Flávio, viajou com o candidato e participou da preparação para os debates na televisão. Apesar da colaboração, o entorno do senador mantinha desconfiança sobre a real dedicação do governador, avaliando que ele poderia ter se empenhado mais na disputa.

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, Tarcísio condicionou uma futura candidatura ao Planalto ao resultado do seu segundo mandato à frente do Executivo paulista, destacando que a definição não será solitária. “A gente tem que ver qual é o cenário de momento e, claro, vou estar terminando o segundo mandato aqui no estado de São Paulo. Terminando bem o segundo mandato, obviamente abre uma possibilidade. Mas isso é uma coisa que você avalia em grupo, não sozinho”, afirmou.

O governador completou afirmando que seu foco atual é cumprir o mandato para o qual foi reeleito e concluiu que “2030 é outra conversa”.
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