Os bastidores da política acreana ganharam um novo e impactante capítulo nesta sexta-feira (26). Uma apuração nacional do portal Metrópoles revelou que articulações em Brasília podem reconfigurar completamente as alianças locais. O arranjo envolve o presidente nacional do Republicanos, o deputado federal Marcos Pereira, e o senador Flávio Bolsonaro (PL). A costura prevê que, em troca do apoio estrutural do Republicanos ao projeto político de Flávio, o PL entregue contrapartidas regionais estratégicas — o que coloca o Acre diretamente na rota de negociação.
Política
Se o acordo avançar, o PL nacional pode orientar o diretório acreano a deixar a base de sustentação da atual governadora Mailza e migrar formalmente para o palanque do senador Alan Rick (Republicanos).
Atualmente, Marcio e o PL estão no palanque de Mailza/ Foto: Instagram
“Não é imposição, é bom senso”, diz Marcio Bittar
Em entrevista exclusiva ao ContilNet nesta sexta-feira (26), o senador Marcio Bittar, uma das maiores e mais influentes lideranças do PL no Acre, comentou o cenário com exclusividade. Questionado sobre a possibilidade de uma guinada partidária determinada pela cúpula federal, Bittar rechaçou a ideia de um “mando autoritário”, mas foi enfático ao evocar a lealdade ao grupo político de Jair Bolsonaro.
“Ah, mas será que eles vão fazer aliança e vão decidir? Não, não é isso. É questão de bom senso. Se põe no meu lugar. Ninguém impõe nada nesse mundo. Na política não é patrão e empregado. O problema é: se o Flávio Bolsonaro me pedir, vou dizer não? Eu vou dizer não para o meu candidato a presidente?”.
Embora ressalte que o cenário ainda está no campo das costuras políticas em Brasília, o parlamentar acreano admitiu que um pedido vindo diretamente da família Bolsonaro criaria uma situação de altíssima complexidade interna.
“Eu não vou antecipar uma coisa que pode não acontecer. Eu só posso dizer o seguinte: se a direção nacional, se o meu candidato a presidente do Brasil, que é filho do meu amigo Jair Bolsonaro, me solicitar, é uma parada dura. Eu vou ter que pensar muito, não tem como responder de pronto, porque eu tenho uma aliança com o governo. O Flávio Bolsonaro sabe disso, a direção nacional sabe disso. Então, não é fácil. Agora, é isso, é uma parada, tá? Mas isso pode acontecer.”
A lógica de Brasília e a fidelidade de Alan Rick
Para Marcio Bittar, a análise trazida a público pelo Metrópoles é inteiramente coerente com a dinâmica pragmática dos partidos na capital federal. Ele destacou que a preocupação de Marcos Pereira em estruturar o Republicanos nacionalmente justifica o pedido de contrapartidas ao PL.
Além disso, Bittar relembrou o histórico recente de votações e posicionamentos em Brasília para justificar por que o nome de Alan Rick surge naturalmente como o beneficiário desse eventual acordo de reciprocidade:
“A matéria faz sentido, porque se você me perguntar o seguinte: faz sentido o Flávio querer o Republicano? Claro que faz. Faz sentido o Marcos Pereira, que é o cara preocupado, que é o cara que cuida do partido no Brasil inteiro, pedir ao PL, ao Flávio, algumas contrapartidas? Faz também, não faz? E o Acre está na rota por quê? Porque o Alan, vou te lembrar de novo, nesses quatro anos, foi colega do Flávio, foi colega do Rogério [Marinho], e o Alan não teve nenhuma parada dura que ele não esteve conosco.”
Materialde referência geográfica
Próximos passos e debate interno
Mesmo reconhecendo o peso das tratativas nacionais, Bittar assegurou que qualquer movimento definitivo será amplamente debatido com as lideranças locais em Rio Branco, evitando decisões precipitadas enquanto os ponteiros em Brasília ainda estão sendo acertados.
“A questão não é abaixar uma lei de cima para baixo. Porque se acontecer de pedirem, eu vou ter que refletir, eu vou ter que chegar e reunir o partido em Rio Branco, os pré-candidatos, etc. e tal. Então, não quero me precipitar de uma coisa que não chegou em mim ainda diretamente”, concluiu o senador.
