Petrobras e governo preparam programa para combater alta nos preços da gasolina, diz Magda Chambriard

Presidente da estatal destaca parceria com o governo federal para apresentar “produtos acessíveis ao bolso do brasileiro”

 
Presidente da Petrobras, Magda Chambriard (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes)

247 - A Petrobras e o governo federal estão elaborando um novo programa para amenizar os impactos da alta da gasolina no Brasil. A informação foi confirmada pela presidente da estatal, Magda Chambriard, durante teleconferência com analistas para apresentação dos resultados financeiros da companhia.
Segundo Magda, a iniciativa faz parte de uma estratégia conjunta entre a Petrobras e o governo para proteger os consumidores das oscilações internacionais no preço do petróleo, especialmente em meio às tensões geopolíticas que elevaram o custo dos combustíveis no mercado global.

“Estamos trabalhando na questão da gasolina e, em breve, os senhores vão ter também boas notícias em relação à nossa gasolina”, afirmou a presidente da Petrobras.

Nos últimos meses, o governo já implementou medidas de apoio envolvendo outros combustíveis, como subsídios para o diesel e o gás de cozinha (GLP), além de linhas de financiamento para o querosene de aviação (QAV). A gasolina, no entanto, tornou-se recentemente uma das principais pressões sobre a inflação brasileira.

Dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira (12) mostraram que o combustível teve forte influência no índice de preços de abril, aumentando a preocupação do governo com os efeitos sobre o custo de vida da população.

Durante a apresentação, Magda Chambriard destacou que a política adotada pela Petrobras busca evitar o repasse imediato das oscilações internacionais aos consumidores brasileiros.

“Como não transferimos as mudanças abruptas de preço ao consumidor, para que esses preços altos da guerra não cheguem ao mercado brasileiro, nós temos tido, vamos dizer assim, olhando a parceria com o governo federal, com excelentes olhos”, declarou.

A executiva também ressaltou que o governo atua para preservar a estabilidade financeira da companhia ao mesmo tempo em que busca garantir combustíveis mais acessíveis.

“O governo federal zela pela capacidade da Petrobras de se manter estável em cenários difíceis e também com a capacidade da Petrobras de apresentar à sociedade produtos acessíveis ao bolso do brasileiro”, disse Magda.

Ela ainda enfatizou a importância estratégica do mercado nacional para a estatal: “Esse mercado é nosso, o mercado do Brasil é nosso, nós zelamos pelo nosso mercado, fazemos dinheiro com o nosso mercado.”

Magda afirmou que o programa de subvenção ao diesel já trouxe resultados positivos para a Petrobras. Segundo ela, entre março e meados de abril, o aumento para o consumidor foi limitado a R$ 0,02 por litro, enquanto a companhia registrou ganho relevante nas vendas do combustível.

“No mês de março até meados do mês de abril, o nosso diesel, que chegou com R$ 0,02 centavos por litro de aumento para o consumidor brasileiro, teve uma subvenção que representou para nós um aumento do preço do diesel em cerca de, em um mês, 46%”, explicou.

A presidente da estatal disse ainda que os efeitos positivos dessas medidas deverão aparecer com mais intensidade no balanço do segundo trimestre de 2026.

No resultado financeiro divulgado pela companhia, a Petrobras registrou lucro líquido de R$ 32,6 bilhões no primeiro trimestre deste ano. Em comparação com o trimestre anterior, o crescimento foi de 109,9%. Em dólar, o lucro avançou 3,8%, passando de US$ 5,97 bilhões para US$ 6,19 bilhões.

O desempenho foi impulsionado pela valorização do petróleo no mercado internacional, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio após ataques militares dos Estados Unidos ao Irã no fim de fevereiro. O barril do petróleo tipo Brent passou de uma média de US$ 75,66 no primeiro trimestre do ano passado para US$ 80,61 neste ano.

Apesar do cenário positivo para as receitas, a valorização do real frente ao dólar pressionou custos operacionais da companhia, especialmente na área de exploração e produção.

Magda Chambriard também afirmou que a Petrobras trabalha para alcançar autossuficiência em diesel até 2030. Segundo ela, projetos em análise podem permitir que o parque de refino brasileiro atenda integralmente à demanda nacional pelo combustível.

“Há análises de projetos que têm capacidade de produzir não apenas 85% de diesel até 2030, mas também de superar essas marcas. E provavelmente seremos capazes de entregar um parque de refino para atender 100% da demanda”, declarou.

A executiva destacou ainda o aumento da capacidade de processamento das refinarias brasileiras, impulsionado pelos projetos de revitalização das unidades da estatal.

“Com a guerra entre EUA e Irã, já superamos 100% da capacidade de refino, no maior nível desde dezembro de 2014. A Petrobras não gosta de limites”, afirmou.

No campo da produção, Magda ressaltou o crescimento das operações em águas profundas, principalmente nos campos de Búzios e Tupi, considerados estratégicos para a expansão da companhia.

“Temos o maior campo de produção de águas profundas do mundo, que é Búzios, com oito plataformas, com a chegada da P-79. Hoje, produz mais de um milhão de barris por dia. Em breve, vai chegar a 1,5 milhão de barris por dia”, disse.

Ela também confirmou o avanço de projetos no Nordeste, incluindo o Sergipe Águas Profundas, que prevê novas plataformas e ampliação da oferta de gás natural.

“Vamos ter um gasoduto no Nordeste, no projeto de Sergipe, para entregar 18 milhões de metros cúbicos, o que representa metade da oferta de gás no primeiro trimestre”, afirmou.
 
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