O deputado estadual eleito Marcus Alexandre (MDB) afirmou, durante entrevista ao Bar do Vaz nesta quinta-feira (8), que tinha consciência dos riscos que corria ao disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac). Segundo ele, a eleição poderia representar tanto o recomeço de sua trajetória política quanto o encerramento de sua vida pública.
“Eu sabia do risco que ia correr nessas eleições. Muita gente não acreditava que daria certo. Eu sabia que essa eleição podia ser o começo, o recomeço da minha vida pública, e podia ser o fim também”, afirmou.
Marcus Alexandre lembrou que estava afastado de um mandato eletivo desde 2018, quando deixou a Prefeitura de Rio Branco para disputar o governo do Acre. Desde então, acumulou derrotas eleitorais, incluindo a disputa pelo governo estadual e a eleição municipal de 2024.“Muitos diziam que eu não chegaria lá porque faltaria estrutura, porque eu estava muito tempo longe do mandato. Eu fiquei na Prefeitura de Rio Branco até 2018, quando fui candidato a governador. Desde então, tinha perdido a eleição para governador e para prefeito em 2024, como candidato”, relembrou.
Apesar do cenário desfavorável, o deputado eleito disse que decidiu aceitar apenas o convite para disputar uma vaga de deputado estadual. Para ele, a candidatura representava a oportunidade de conduzir uma campanha construída ao lado de amigos, apoiadores e de pessoas que permaneceram ao seu lado ao longo dos anos.“Eu não aceitei outros convites, a não ser o de ser candidato a deputado estadual. Era o momento de ter uma campanha conduzida pelo Marcus Alexandre, com um time de amigos, apoiadores fiéis e um povo que ficou do meu lado desde o início”, destacou.
“Foi uma campanha feita na raça”
Marcus Alexandre também agradeceu à equipe que participou da campanha e destacou as dificuldades enfrentadas durante a disputa eleitoral.“Todo o nosso time foi muito guerreiro. Nós tivemos que fazer uma campanha enfrentando todas as dificuldades. Esse time que acompanhou o Marcus Alexandre nas regionais e no interior foi um time que foi feito na raça. E deu certo”, afirmou.

O deputado eleito reconheceu que a campanha começou praticamente sem estrutura e disse que chegou a ter dúvidas sobre a capacidade de manter as atividades eleitorais.“Foi uma campanha que a gente começou praticamente do zero. Diferente de outras campanhas, em que havia um grupo e uma estrutura, nessa a gente colocou o pé na rua. Eu não sabia nem se teria condição de pagar o combustível do pessoal. Mas deu tudo certo”, relatou.
Ao avaliar o resultado, Marcus Alexandre afirmou que nunca teve medo de enfrentar desafios e considerou a eleição uma das maiores provas de sua trajetória política.
“Eu nunca tive medo de nada. Nunca tive medo de enfrentar nenhum desafio na minha vida, nem do ponto de vista público. Esse foi o maior de todos”, declarou.
Por fim, o deputado estadual eleito agradeceu aos eleitores que permaneceram ao seu lado durante a campanha e atribuiu a vitória à vontade de Deus e ao apoio popular.“Eu agradeço ao povo e a Deus por ter me colocado no meu lugar. Tudo é a vontade dele. E foi o povo que ficou do meu lado até o final”, disse.
Durante a entrevista, Marcus Alexandre criticou a decisão da direção nacional do MDB de não destinar recursos do fundo eleitoral aos candidatos que não exerciam mandato. Segundo ele, a medida dificultou a campanha e representou um erro estratégico para a renovação dos quadros do partido.
“Quando o MDB nacional informou que não teria recurso para quem não tinha mandato, essa conta eu coloco em Brasília. O Acre recebeu os recursos que Brasília mandou, e os repasses foram feitos para as contas dos candidatos. Então, a decisão não foi aqui. A decisão foi de Brasília”, afirmou.
Marcus Alexandre disse que a determinação não atingiu apenas sua candidatura, mas também outros candidatos e candidatas da legenda que disputavam eleições sem ocupar mandato eletivo.“Quando foi informado que não haveria recurso, não foi só para mim, mas para os demais candidatos e candidatas sem mandato. Eu acho que isso foi um erro estratégico. Você está desestimulando todo mundo que não tem mandato e dificultando a renovação do próprio partido”, avaliou.
O deputado estadual eleito contou que a decisão ocorreu quando a campanha já estava em andamento e que a falta de recursos gerou preocupação com o pagamento das despesas eleitorais.“Naquele momento, você olha para um lado, olha para o outro e pensa: ‘E agora?’. A campanha já estava acontecendo há praticamente três semanas. Nós estávamos entrando na semana do dia 10 de setembro. Eu me lembro que, naquela noite, eu não dormi”, relatou.
Segundo Marcus, a preocupação aumentou porque as primeiras despesas da campanha estavam vencendo e, até então, nenhum recurso havia sido depositado.“Eu tinha contas vencendo, porque ia completar 30 dias e não tinha nenhum depósito. Foi aí que tive a mão amiga do Ney Amorim, que era candidato a deputado federal. Como ele recebeu recurso, estendeu a mão e repassou uma parte do fundo dele. Foi assim que conseguimos chegar até o final”, explicou.
Marcus Alexandre também citou o apoio recebido da então candidata ao governo do Acre, Mailza Assis, como importante para a continuidade da campanha.“Tive também o apoio da candidata majoritária, a governadora Mailza, nossa candidata. Ela também nos ajudou. Se não tivéssemos essa condição, não teríamos chegado até o final”, afirmou.

Marcus Alexandre afirmou que contou com uma equipe aguerrida durante a campanha e que, diante da falta de estrutura, a estratégia precisou ser adaptada. Segundo ele, a candidatura passou a apostar na proximidade com os eleitores, na amizade e na expectativa de trabalho.“Nós tivemos que utilizar essa situação para ser transparentes e dizer que a nossa campanha seria assim: uma campanha da gratidão, da amizade e da expectativa do trabalho que eu posso fazer. Então, nossas ferramentas passaram a ser outras”, afirmou.
O deputado estadual eleito contou que a campanha enfrentou limitações de estrutura, inclusive com relação a veículos e ao espaço utilizado como comitê central.
“Como não tínhamos estrutura e não tínhamos tantos veículos, nosso comitê central funcionava no Tangará, em uma tenda que foi montada e que servia para liberar e entregar nosso material de campanha”, relatou.
Segundo Marcus, a situação acabou gerando uma mobilização espontânea entre apoiadores, que passaram a enviar mensagens demonstrando disposição para ajudar na campanha.“Comecei a receber muitas mensagens de pessoas dizendo: ‘Independentemente de ter estrutura ou não, nós vamos te ajudar. Nós não vamos desistir, não vamos recuar’. Então, criou-se um sentimento, e esse sentimento foi levado até o final da eleição”, destacou.
Marcus Alexandre afirmou que, apesar das dificuldades, a candidatura conseguiu manter a mobilização até o fim da disputa. Ele também lembrou que, inicialmente, havia uma avaliação de que o MDB teria dificuldades para conquistar vagas, diante da estrutura e do perfil dos demais candidatos da chapa.
“Quem olhava a chapa do MDB fazia o seguinte prognóstico: o MDB tinha dois candidatos com maior estrutura, que eram Antônia Sales, esposa do presidente nacional e ex-presidente do partido, e Vagner Sales”, afirmou.

Alexandre afirmou que acreditava na própria eleição, mas, antes da apuração, avaliava que o deputado Tanízio Sá poderia ser o candidato mais votado do MDB. Ele também apostava na reeleição da deputada Antônia Sales e projetava que o partido poderia conquistar três cadeiras.“Eu achava que o deputado Tanízio poderia ser o mais votado do partido e que a deputada Antônia Sales poderia ser reeleita, porque, nas minhas contas, a gente elegeria três. Até porque acho que a Assembleia perdeu sem o mandato da deputada, porque ela teve um mandato muito bom. Sempre foi um mandato muito bom”, afirmou.
O deputado eleito destacou ainda a competitividade da disputa e lembrou que candidatos com votação próxima dos 10 mil votos não conseguiram se eleger em outras chapas.“Foi uma eleição muito disputada. Você vê que candidatos com quase 10 mil votos não foram eleitos em outra chapa”, observou.
Apesar das projeções e da concorrência, Marcus Alexandre disse que preferiu concentrar os esforços na própria candidatura e não acompanhar de perto o desempenho dos adversários.“Eu não procurei olhar muito para o lado. Eu olhei para frente. Fui atrás do meu sonho, que era ser candidato e ser eleito deputado estadual. Mobilizei o máximo que pude da minha equipe”, afirmou.
“O proporcional são centenas de pequenas reuniões”
Marcus Alexandre também destacou a estratégia adotada durante a campanha, baseada em reuniões menores com eleitores. Segundo ele, foram realizados diversos encontros diariamente, independentemente do número de pessoas presentes.
“A gente fazia três, quatro reuniões à noite, com 20, 30, 40 ou 50 pessoas. Não importava quantas pessoas estavam lá me esperando, eu ia. Porque, às vezes, em uma reunião menor, você consegue transmitir o que pensa e conquistar o voto mais do que em uma mega reunião”, explicou.
Para o deputado eleito, grandes eventos são mais comuns em campanhas majoritárias, enquanto candidatos proporcionais precisam apostar na proximidade e no contato direto com o eleitor.“Mega reunião é mais para o majoritário. Agora, o proporcional são centenas de pequenas reuniões”, afirmou.
Ao final, Marcus Alexandre aproveitou para agradecer às pessoas que o receberam em suas casas, ofereceram um café e reuniram familiares para ouvir suas propostas.
“Quero aproveitar para agradecer a todo mundo que me recebeu em casa, que me convidou para um café e que reuniu a sua família. Se eu passar esses quatro anos agradecendo, ainda vai ser pouco pelo que as pessoas fizeram por mim nesta eleição”, comentou.
Durante a entrevista, Marcus Alexandre afirmou que sua trajetória política é marcada por ciclos e que a narrativa utilizada por adversários, segundo a qual ele deixaria o MDB para retornar ao PT após as eleições, perdeu força diante de sua atual posição dentro do partido.“Somos feitos de ciclos. A gente encerra um ciclo e começa outro. Em 2023, cheguei ao MDB e fui recebido pelo Flaviano, muito bem. Tenho um carinho enorme pelo Flaviano. Depois, enfrentei uma campanha dura para prefeito pelo MDB”, afirmou.
Marcus Alexandre lembrou que, durante a campanha municipal, adversários chegaram a afirmar que sua passagem pelo MDB seria temporária e que ele retornaria ao PT após a eleição.“Naquela campanha, o adversário usava uma narrativa dizendo que eu tinha saído, mas não tinha saído, e que, acabada a eleição, eu voltaria para o PT. Agora, fui candidato mais uma vez pelo MDB, sou presidente municipal do MDB, segundo vice-presidente estadual do MDB e deputado eleito pelo MDB. Então, acho que essa narrativa de quem tentou criar essa situação lá atrás cai por terra”, declarou.
O deputado eleito afirmou ainda que sempre procurou agir de acordo com suas convicções e assumir compromissos com os grupos políticos dos quais faz parte.“Eu sempre procurei ser uma pessoa correta nas minhas decisões e nunca estar em um projeto sem ajudar onde eu estivesse”, destacou.
“Fiz tudo com o coração”
Marcus Alexandre também avaliou a campanha eleitoral e disse que teve liberdade para conduzir o processo de acordo com suas convicções. Segundo ele, apesar das dificuldades encontradas ao longo da disputa, a equipe conseguiu manter o planejamento até o fim.“Essa campanha, eu posso te dizer, eu fiz tudo com o coração. Tive liberdade para tratar qualquer tema. Fui o coordenador geral de tudo. Foi uma campanha que eu cuidei, com uma equipe maravilhosa, do início ao fim, e que foi do jeito que eu queria fazer”, afirmou.
O deputado reconheceu que, durante uma campanha, é necessário fazer ajustes diante das dificuldades que surgem, mas ressaltou que conseguiu manter o comando do processo.“Claro que você vai ajustando conforme as dificuldades vão se impondo. Mas, quando você é candidato majoritário, são muitas situações. Agora, depois que ganha, você também tem que cuidar do seu time”, disse.
Marcus Alexandre afirmou que a vitória aumenta sua responsabilidade e que pretende retribuir a confiança recebida dos eleitores e dos apoiadores.“Eu tenho essa compreensão de que agora a minha responsabilidade, em primeiro lugar, é ser grato a quem me ajudou e honrar o eleitor que me deu o voto”, relatou.
Alexandre afirmou que encontrou no MDB uma forma diferente de conduzir o processo eleitoral em relação ao partido ao qual pertenceu anteriormente. Segundo ele, a legenda permite maior liberdade para diferentes correntes de pensamento e para a atuação de seus filiados.“O MDB tem uma forma de conduzir o processo eleitoral diferente do que eu vivia anteriormente. O MDB tem uma liberdade muito grande. Você tem muitas correntes de pensamento e todas elas são respeitadas”, afirmou.

Marcus Alexandre disse que, durante as campanhas eleitorais de 2024 e 2026, não recebeu interferências da direção partidária sobre os temas que deveria abordar ou sobre a forma de conduzir sua candidatura.
“Eu não tive, em nenhum momento, alguém da direção do MDB me ligando e dizendo: ‘Esse tema aqui não’, ‘essa posição não’. A gente não tem esse alinhamento de pensamento nesse sentido. Acho que o MDB, nesse aspecto, é um partido que sempre lutou pela democracia e sempre defendeu o voto direto”, declarou.
Segundo ele, essa autonomia também aumentou sua responsabilidade como candidato.“Eu posso dizer que a executiva me deixou muito à vontade, tanto na campanha de prefeito, em 2024, como agora na campanha para deputado. Tive muita liberdade para fazer a campanha que eu quis fazer. Isso transfere muita responsabilidade, porque é você que está fazendo a campanha. A campanha é sua”, explicou.
Marcus Alexandre também comparou a experiência com o período em que esteve no PT.“No PT, você era uma estrela, mas sua estrela não podia brilhar porque tinha que brilhar as estrelas que estavam do outro lado. No MDB, você pode não ser estrela, mas lá você brilha”, afirmou.
Deputado critica falta de recursos do MDB nacional
Questionado sobre as dificuldades financeiras enfrentadas durante a campanha, Marcus Alexandre voltou a criticar a decisão da direção nacional do MDB de não destinar recursos do fundo eleitoral aos candidatos que não possuíam mandato.
“Eu não estou me lamentando e jogando a culpa na direção regional do MDB, porque eu sei que essa decisão partiu de Brasília. Foi Brasília que depositou os recursos, não foi o Acre. E eu acho que foi um erro estratégico do MDB Nacional. É uma opinião”, afirmou.
Marcus Alexandre disse que esperava receber algum recurso da direção nacional e ressaltou que considera o presidente nacional do partido, deputado federal Baleia Rossi, um amigo.“Eu esperava que nós tivéssemos algum recurso. Falo isso aqui porque o presidente nacional, que eu considero um amigo, o deputado federal Baleia Rossi, eu esperava que tivesse esse gesto, não só para mim, mas para os demais candidatos que não tinham mandato e não receberam nenhum recurso”, declarou.
O deputado eleito defendeu que uma parcela dos recursos poderia ter sido destinada aos candidatos sem mandato para custear despesas básicas de campanha.“Se o limite é R$ 1,2 milhão, se liberasse R$ 15 mil ou R$ 20 mil para cada um, dizendo: ‘Olha, a gente não pode fazer tudo, mas pode te dar um recurso para você comprar material, adquirir combustível, contratar uma gráfica’, essas coisas que são mínimas em uma campanha, eu acho que seria um gesto de grandeza”, afirmou.
Para Marcus Alexandre, esse tipo de apoio poderia estimular candidaturas de pessoas que ainda não ocupam mandatos eletivos.
“Seria um gesto de grandeza para dizer: ‘Você que não tem mandato, seja candidato, porque nós vamos te ajudar. Um dia você chega lá’. Então, eu esperava esse gesto”, disse.
Marcus Alexandre relembrou que sua última vitória eleitoral antes de 2026 havia ocorrido em 2016, quando foi reeleito prefeito de Rio Branco. Segundo ele, a conquista ocorreu há dez anos e marcou a última vez em que havia vencido uma eleição antes do atual mandato.
“A última vitória tinha sido há dez anos. Eu fui reeleito prefeito de Rio Branco, com uma das maiores votações da história naquele ano, em 2016. O Gael tinha nascido. O Gael hoje tem 10 anos”, afirmou.
Relação com Márcio Bittar
Marcus Alexandre também falou sobre a relação que manteve com o senador Márcio Bittar durante o período eleitoral e destacou um encontro promovido por profissionais da área de engenharia para discutir obras e investimentos no Acre.
Segundo Marcus, o encontro reuniu cerca de 60 a 70 engenheiros e teve como objetivo discutir a destinação de emendas e a inclusão de obras consideradas estratégicas para o estado.“Foi um encontro promovido pela engenharia. Naquele momento, o Tião reuniu cerca de 60 ou 70 engenheiros, colegas engenheiros, e me convidou. Ali estava sendo formado um grupo para discutir a colocação de emendas para grandes investimentos”, explicou.
Marcus citou entre as obras discutidas a construção de viadutos, o Arco Metropolitano, a ponte sobre o Rio Juruá, em Rodrigues Alves, e outras intervenções consideradas importantes para a infraestrutura do Acre.
“Eu fui, especificamente falando da engenharia, sobre obras importantes, como o viaduto em Rio Branco, o Arco Metropolitano e a ponte de Rodrigues Alves. São obras que a bancada federal pode ajudar a viabilizar. Nesse momento, houve um pacto com o senador e com o grupo para colocar essas obras no plano de investimentos e ajudar na aprovação”, afirmou.
O deputado eleito também lembrou que Bittar reconheceu a presença dele no encontro como um sinal de tolerância política, considerando que os dois estiveram em lados opostos na eleição municipal de 2024.“Ele até falou naquele dia: ‘Marcus, você estar aqui é um sinal de tolerância política, porque eu já estive do outro lado. Eu já trabalhei para que você não ganhasse uma eleição’. Em 2024, ele foi praticamente o coordenador da campanha do Bocalom”, relatou.
Marcus Alexandre afirmou, no entanto, que conseguiu separar as divergências políticas dos interesses relacionados ao desenvolvimento do estado.“Eu disse para ele que, naquele momento, o que nos unia ali era a engenharia, eram as obras do Estado. Se tem uma coisa que eu sou é tolerante. Eu sei separar as coisas. Sempre fui uma pessoa do diálogo com todas as correntes políticas”, declarou.
O ex-prefeito ressaltou que, durante sua trajetória política, manteve diálogo com diferentes grupos e partidos.“Como prefeito, dialoguei com todo mundo. Tenho amigos de A a Z. Naquele momento, entendi que era importante a minha participação porque era um colega engenheiro que estava tratando de coisas importantes para o Estado”, salientou.
Alexandre afirmou que não encontrou resistência para pedir votos para Mailza Assis e Ney Amorim durante a campanha eleitoral. Segundo ele, o apoio ocorreu de forma natural, tanto pela relação pessoal com Ney quanto pela aproximação que, em sua avaliação, Mailza construiu com os eleitores ao longo da campanha.“Eu não tive nenhuma dificuldade de pedir voto nem para a Mailza nem para o Ney. E falo isso de coração”, afirmou.
Ao falar sobre Mailza, Marcus Alexandre destacou o crescimento da candidata ao longo da campanha e disse que percebeu o aumento da intenção de voto também durante as atividades de rua.“Desde que ela assumiu o governo, a curva de votação dela, de intenção de voto, sempre foi crescente. Se você pegar as primeiras pesquisas até o dia da eleição, ela só cresceu. Você notava isso na rua?”, declarou.
Segundo Marcus, a forma de relacionamento de Mailza com a população contribuiu para essa aproximação.“Quanto mais as pessoas conheciam a Mailza, mais crescia a intenção de voto. Ela tem um jeito simples, atencioso. Nas agendas de que a gente participa, ela para para ouvir e conversa com as pessoas”, afirmou.
Apoio a Ney Amorim
Marcus Alexandre também falou sobre o apoio a Ney Amorim, destacando a relação pessoal construída ao longo dos anos.“O Ney eu já conhecia. A gente já jogou futebol junto, temos uma relação que vem lá da Baixada. Então, também foi quase uma parceria. As pessoas já nem questionavam o porquê”, explicou.
Segundo Marcus, o apoio de Ney à sua candidatura também contribuiu para que seus apoiadores abraçassem a campanha do candidato ao Senado.“Quando eu dizia que ele era o único que estava, de fato, nos ajudando, o nosso pessoal falava: ‘Pô, ele está te ajudando, então vamos abraçar’. E, no final, na última semana, eu dizia para a equipe que a nossa governadora estava muito perto do primeiro turno”, relatou.
Marcus avalia desempenho de Mailza no debate
O deputado eleito também comentou o desempenho de Mailza no último debate da campanha para o governo do Acre. Na avaliação dele, a candidata conseguiu ampliar a conexão com o eleitorado feminino durante o confronto.“Depois daquele último debate, eu acho que o adversário entrou em um campo que eu, que já fui candidato majoritário — prefeito duas vezes e governador — conheço: o campo pessoal. É um campo delicado de entrar”, afirmou.
Para Marcus, a postura adotada por Mailza naquele momento contribuiu para aproximá-la ainda mais das eleitoras.“Eu acho que, naquele último debate, a Mailza deu um salto. As respostas dela conectaram diretamente com as mulheres e com a realidade que muitas mulheres vivem”, avaliou.
Marcus Alexandre concluiu destacando que, segundo sua avaliação durante a reta final da campanha, a disputa estava muito acirrada.
“Naquele momento, faltou muito pouquinho”, contou.
Alexandre afirmou que a abstenção teve peso no resultado da eleição para o governo do Acre e avaliou que, caso uma parcela dos eleitores que não compareceram às urnas tivesse participado da votação, Mailza Assis poderia ter sido reeleita.“Se 10% dos 20% que não votaram tivessem comparecido, certamente, pela proporcionalidade, ela teria sido eleita. Então, a própria abstenção pode ter tirado a eleição dela”, afirmou.
O deputado eleito disse ainda que sua campanha foi conduzida em conjunto com a candidatura de Mailza e que o apoio à então governadora esteve presente nas atividades realizadas durante a disputa.“Minha campanha foi toda com a Mailza. O nosso material foi todo casado com o da governadora. Em todas as reuniões de que participei, falei e coloquei as razões pelas quais estava apoiando a governadora. Eu tenho muita expectativa no mandato da governadora”, declarou.
Marcus Alexandre relembra atuação como prefeito
Durante a entrevista, Marcus Alexandre também avaliou sua passagem pela Prefeitura de Rio Branco e afirmou que procurou exercer o cargo de acordo com suas convicções, mantendo proximidade com a população.“Eu trabalhei na Prefeitura para fazer tudo o que meu coração pediu. Procurei não deixar o poder encantar o meu coração, porque eu sabia que era passageiro. Mas me esforcei para honrar a população de Rio Branco”, afirmou.
O ex-prefeito destacou ainda que buscou estar presente nos bairros e em momentos considerados difíceis para a população, como durante as enchentes que atingiram a capital.
“Eu procurei estar na rua o tempo todo, ser sincero e verdadeiro. Na hora em que a cidade sofreu com as enchentes, eu estava lá com o povo, não saí da cidade, não viajei. Estava aqui ajudando. Também procurei entregar obras e resultados importantes”, disse.
Marcus Alexandre afirmou que se sente satisfeito ao perceber que, anos após deixar a Prefeitura, continua sendo recebido de forma positiva por moradores da capital.“Eu fico feliz de ter esse reconhecimento, oito anos depois, de andar pelos bairros e ser bem recebido, como sou. Chego em casa com o bucho cheio de café, porque as pessoas me tratam bem e me acolhem bem”, relatou.
Deputado anuncia agenda de agradecimento
Após a vitória nas eleições de 2026, Marcus Alexandre afirmou que pretende percorrer novamente bairros e comunidades para agradecer aos eleitores e apoiadores que participaram da campanha.“Agora, eu quero fazer uma agenda nesses próximos dias de agradecimento. Vou começar neste fim de semana. Vou andar de novo”, anunciou.
Marcus também afirmou que já retomou as atividades profissionais e aproveitou para enviar um abraço aos colegas de trabalho.
“Eu já voltei para a secretaria onde trabalho. Quero mandar um abraço para meus colegas, meus amigos, que estão me assistindo. Eu voltei, mas, a partir das 15h e durante o fim de semana, já tenho uma programação extensa de reuniões com nossa equipe”, afirmou.

No decorrer da entrevista, Marcus Alexandre se emocionou ao relembrar o apoio recebido da família durante a campanha eleitoral e destacou o papel da mãe, dona Tânia, da esposa, Gisele, e do filho, Gael, que acompanhou pela primeira vez a apuração dos votos ao lado do pai.“Primeiro, a Deus, porque, senão, a gente nem estaria aqui para enfrentar esse desafio. Mas a família sempre é quem paga o maior preço. Você fica distante, fica diferente, porque está enfrentando um desafio enorme e já está meio ‘espilhado’, como a gente fala”, afirmou.
Marcus destacou a importância da esposa, Gisele, durante toda a campanha.“A Gisele foi uma pessoa muito importante, e é uma pessoa muito importante na minha vida. Minha esposa enfrentou todas essas eleições ao meu lado”, declarou.
Emocionado, o deputado eleito lembrou especialmente da dedicação da mãe, dona Tânia, que participou ativamente de sua campanha por meio do projeto Rodas de Conversa com Dona Tânia.“O que eu me lembrei foi da minha mãe, dona Tânia. Ela criou o programa ‘Rodas de Conversa com Dona Tânia’, em que ela mesma ia às agendas. Ela fez quase 45 dias, pelo menos uns 20 dias de agenda. Eu vi o esforço dela pelo filho”, relatou.
Marcus Alexandre afirmou que a dedicação da mãe durante a campanha fez com que ele lembrasse de todo o esforço que ela fez ao longo de sua vida para apoiá-lo e também ao irmão.“Eu vi o esforço da minha mãe a vida toda por mim e pelo meu irmão. Então, eu lembro dela, da minha mãe”, disse, emocionado.

O deputado eleito também contou que o filho, Gael, esteve ao seu lado durante a apuração dos votos. Segundo Marcus, foi a primeira vez que o menino acompanhou de perto aquele momento.
“O Gael chegou para acompanhar a apuração comigo. Foi a primeira vez que ele acompanhou a apuração do pai dele”, contou.
Marcus Alexandre afirmou que todo ex-prefeito deve estar à disposição do gestor que estiver à frente da administração municipal e disse que não teria dificuldade em conversar com o prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, caso seja procurado para oferecer sugestões.“Eu penso que todo ex-prefeito tem que estar à disposição do prefeito que estiver cuidando da cidade. Se eu for chamado, em algum momento, para dar uma opinião, eu não posso me furtar de dar uma opinião, porque durante seis anos fui eu que cuidei. A responsabilidade foi minha”, afirmou.
Segundo Marcus, a experiência acumulada por diferentes gestores pode contribuir para a administração pública, especialmente diante de problemas que se repetem ao longo dos anos.“Eu acho que a administração é uma soma de experiências. Ninguém precisa inventar a roda. Você se depara com problemas que se renovam na cidade. Existem problemas novos, mas também existem aqueles que se repetem”, explicou.
O deputado eleito defendeu ainda que gestores estejam abertos a ouvir diferentes opiniões antes de tomar decisões.“Depende muito de quem está à frente. Se ele quer pedir uma opinião, há quem não faça isso por ciúme ou porque acha que sabe tudo. Para mim, aqueles que acham que sabem tudo e têm ciúme estão no começo do insucesso”, avaliou.
Para Marcus, buscar diferentes pontos de vista pode contribuir para decisões mais bem fundamentadas.“Mas aqueles que se cercam de pessoas que têm boas intenções e tomam o cuidado de pedir uma opinião, eu acho que, quanto mais opiniões ele tiver para definir uma ação, melhor”, destacou.
Marcus Alexandre afirmou que, caso Alysson Bestene o procure, estará disposto a colaborar.“Claro, se o Alysson, em algum momento, me convidar para dar alguma opinião, lá estarei, com todo prazer, com o prefeito. Eu tenho essa responsabilidade no meu coração”, afirmou.
O deputado eleito também lembrou que não foi procurado pelo ex-prefeito Tião Bocalom durante a gestão anterior.“Eu, com o Bocalom, não fui chamado”, concluiu.