Levantamento mostra Lula com 49% e Flávio com 50%; presidente tem vantagem entre eleitores que não votaram no primeiro turno

Lula e Flávio BolsonaroCrédito: Ricardo Stuckert I Adriano Machado/Reuters
247 – A disputa pela Presidência da República permanece acirrada a dez dias do segundo turno das eleições de 2026. Pesquisa Palver, realizada entre 10 e 13 de outubro, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 49% das intenções de voto, contra 50% de Flávio Bolsonaro (PL). A diferença de um ponto percentual configura empate técnico, considerando a margem de erro máxima de 2,3 pontos percentuais.
Entre os entrevistados, 49% afirmam que votarão com certeza em Flávio Bolsonaro, enquanto 48% demonstram a mesma convicção em relação a Lula. A rejeição também está equilibrada: 50% dizem que não votariam no presidente em nenhuma circunstância, ante 48% que rejeitam o candidato do PL.
Lula tem vantagem entre eleitores que não votaram no primeiro turno
Um dos principais dados favoráveis ao presidente aparece entre os eleitores que se abstiveram no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Nesse grupo, 59% declaram preferência por Lula, enquanto 28% afirmam que votariam em Flávio Bolsonaro.
A diferença de 31 pontos percentuais indica uma possibilidade de ampliação da votação do petista, caso parte desses eleitores compareça às urnas no segundo turno.
Entretanto, o levantamento identifica obstáculos para transformar essa preferência em votos efetivos. Entre os entrevistados que não participaram da primeira votação, 37% afirmaram que estavam viajando e 21% disseram possuir título eleitoral registrado em outra cidade.
Essas justificativas indicam que uma parcela importante das ausências está relacionada a dificuldades logísticas, e não necessariamente à falta de interesse pela disputa presidencial.
A mobilização desse eleitorado representa, portanto, um desafio para a campanha de Lula, especialmente diante do curto intervalo até a votação.
Eleitores de Augusto Cury preferem Lula; apoiadores de Caiado migram para Flávio
A pesquisa também investigou como os eleitores dos candidatos derrotados no primeiro turno pretendem se posicionar na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Entre aqueles que votaram em Augusto Cury (Avante), 64% manifestam preferência pelo presidente, enquanto 32% declaram apoio ao candidato do PL.
O movimento é inverso entre os eleitores de Ronaldo Caiado (PSD). Nesse segmento, Flávio Bolsonaro reúne 61% das intenções de voto, contra 35% de Lula.
Já os apoiadores de Renan Santos (Missão) aparecem divididos igualmente: 41% pretendem votar em Lula e outros 41% em Flávio Bolsonaro. Os 18% restantes afirmam que votarão em branco ou anularão o voto.
Apesar dessas diferenças, os resultados precisam ser interpretados com cautela. A quantidade de entrevistados em cada um desses grupos é reduzida, o que limita a precisão das estimativas e impede conclusões definitivas sobre a transferência de votos.
Defesa da democracia e rejeição ao PT motivam eleitores
O levantamento revela diferenças importantes nas razões que levam os brasileiros a apoiar cada candidatura.
Entre os eleitores de Lula, 37% apontam a defesa da democracia como principal motivação para o voto. Já entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, 34% mencionam a rejeição ao PT como fator determinante para sua escolha.
O receio em relação ao resultado da eleição também aparece praticamente dividido. Segundo a Palver, 48% dos entrevistados demonstram maior preocupação com uma eventual reeleição de Lula, enquanto 47% dizem temer mais uma vitória de Flávio Bolsonaro.
As diferenças entre os grupos sociais e regionais permanecem relevantes. O presidente apresenta maior força eleitoral no Nordeste e entre os beneficiários do Bolsa Família. Flávio Bolsonaro, por sua vez, registra desempenho mais favorável no Sul, no Centro-Oeste e entre os evangélicos.
A pesquisa também identifica uma diferença de quase 20 pontos percentuais no comportamento eleitoral de homens e mulheres, evidenciando a importância do gênero na composição das bases de apoio dos candidatos.
Economia e custo de vida são desafios para o governo Lula
A avaliação da situação econômica aparece como um dos principais fatores associados à dificuldade do presidente em ampliar sua vantagem eleitoral.
De acordo com a Palver, 51% dos entrevistados desaprovam o governo Lula, enquanto 48% aprovam sua gestão. Além disso, quase metade considera que a situação do país piorou ao longo dos últimos 12 meses.
O custo de vida é apontado como a principal preocupação das famílias brasileiras por 34% dos participantes da pesquisa.
A percepção sobre esse problema, entretanto, varia significativamente conforme a preferência eleitoral. Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, 51% identificam o custo de vida como a questão mais preocupante. Entre os eleitores de Lula, esse percentual cai para 15%.
O levantamento também avaliou qual candidato é considerado mais preparado para enfrentar diferentes desafios nacionais.
Flávio Bolsonaro aparece à frente nas avaliações relacionadas à segurança pública, ao controle da dívida, ao combate à inflação e ao enfrentamento da corrupção.
Lula, por outro lado, apresenta vantagem clara quando o assunto é o combate à pobreza. Nas áreas de saúde e educação, os dois candidatos aparecem empatados.
Apesar das avaliações negativas sobre a situação econômica recente, 70% dos entrevistados acreditam que a economia brasileira melhorará nos próximos 12 meses. Essa expectativa positiva, contudo, está distribuída entre os apoiadores dos dois candidatos e não representa uma vantagem eleitoral evidente para nenhum deles.
Apenas 4% dos eleitores mudaram ou definiram o voto na reta final do primeiro turno
Outro resultado relevante da pesquisa diz respeito à estabilidade das escolhas eleitorais.
Segundo a Palver, 95% dos entrevistados mantiveram a decisão que já haviam tomado antes da última semana de campanha do primeiro turno. Apenas 4% mudaram ou definiram sua preferência presidencial nesse período.
Entre aqueles que alteraram o voto, 51% tomaram a decisão entre 27 de setembro e 2 de outubro. Outros 8% decidiram no sábado anterior à votação, enquanto 20% fizeram sua escolha no próprio domingo, 4 de outubro.
O levantamento também investigou os motivos dessas mudanças.
Para 23% dos eleitores que trocaram de candidato, a principal razão foi perceber que sua escolha inicial não tinha possibilidade de chegar ao segundo turno.
Outros 9% afirmaram que pretendiam contribuir para uma definição da eleição já na primeira votação, enquanto 9% disseram ter mudado de preferência para impedir a vitória de um candidato rejeitado.
Somadas, essas três motivações representam 41% das mudanças de voto, indicando a importância do cálculo estratégico entre os eleitores que reconsideraram suas escolhas.
A influência direta da campanha foi menor. Apenas 7% atribuíram a mudança a debates ou à propaganda eleitoral, enquanto outros 7% mencionaram notícias ou denúncias.
Entre os entrevistados que mudaram de voto, os apoiadores de Augusto Cury representavam 23% do grupo, seguidos pelos de Flávio Bolsonaro, com 21%. Os eleitores de Lula, Renan Santos e Ronaldo Caiado correspondiam a 13% cada.
Esses resultados, entretanto, têm limitações estatísticas importantes, já que o grupo de pessoas que alteraram sua preferência reúne menos de 200 entrevistas.
Pesquisa ouviu 5 mil pessoas e está registrada no TSE
A Palver entrevistou 5.000 pessoas entre os dias 10 e 13 de outubro. O levantamento apresenta tamanho efetivo de amostra de 1.783 entrevistados e margem de erro máxima informada de 2,3 pontos percentuais.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08028/2026.
A metodologia utilizada é baseada em uma amostra online não probabilística, formada por participantes recrutados por meio de anúncios em redes sociais. Os resultados são posteriormente calibrados considerando a votação registrada no primeiro turno.