Ex-governador foi eleito pela última vez em 2006, para a Câmara, e acumula desde então derrotas em três disputas majoritárias consecutivas.

Ciro GomesCrédito: Reuters
247 – A tentativa de Ciro Gomes (PSDB) de retornar ao comando do Ceará terminou com uma nova derrota eleitoral e consolidou uma marca de duas décadas sem que o ex-governador conquiste um cargo pelo voto. Candidato ao governo estadual em 2026, ele foi superado no primeiro turno pelo governador Elmano de Freitas (PT), reeleito para mais quatro anos.
A última eleição vencida por Ciro ocorreu em 2006, quando conquistou uma cadeira de deputado federal pelo Ceará. Naquele pleito, recebeu 667.830 votos, foi o candidato mais votado do estado e obteve a maior votação proporcional para deputado federal do país, com 16,19% dos votos válidos cearenses.
Na eleição deste domingo (4), Elmano derrotou Ciro ainda no primeiro turno. O petista recebeu 53,19% dos votos válidos, enquanto o ex-governador alcançou 46,22%. O resultado garantiu a reeleição de Elmano e frustrou a tentativa de Ciro de voltar, mais de três décadas depois, ao cargo que ocupou no início dos anos 1990.
A derrota ocorreu após uma reta final marcada por uma disputa apertada. Pesquisa Datafolha divulgada na véspera da votação mostrava Elmano com 50% dos votos válidos e Ciro com 47%, situação de empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Terceira derrota consecutiva em disputa majoritária
O resultado de 2026 representa o terceiro revés consecutivo de Ciro em uma eleição majoritária. Antes de tentar retornar ao governo cearense, ele disputou a Presidência da República em 2018 e 2022.
Em 2018, pelo PDT, terminou em terceiro lugar, com 12,47% dos votos válidos, equivalentes a cerca de 13,3 milhões de votos. Jair Bolsonaro e Fernando Haddad avançaram ao segundo turno.
Quatro anos depois, seu desempenho caiu de forma acentuada. Na eleição presidencial de 2022, Ciro recebeu 3,04% dos votos válidos e terminou na quarta colocação, atrás de Lula (PT), Jair Bolsonaro (PL) e Simone Tebet (MDB). Foram aproximadamente 3,6 milhões de votos.
Aquele resultado também evidenciou uma perda de força em sua principal base política. Ciro terminou apenas em terceiro lugar na disputa presidencial dentro do Ceará, enquanto seu então aliado Roberto Cláudio (PDT) também ficou em terceiro na eleição estadual. Elmano foi eleito governador já no primeiro turno, com mais de 50% dos votos válidos.
Quatro candidaturas à Presidência
As derrotas recentes se somam a outras duas tentativas de Ciro de chegar ao Palácio do Planalto. Ele concorreu pela primeira vez à Presidência em 1998 e ficou em terceiro lugar. Quatro anos depois, voltou à disputa e terminou na quarta colocação.
Com isso, o político participou de quatro eleições presidenciais — 1998, 2002, 2018 e 2022 — sem chegar ao segundo turno em nenhuma delas.
O desempenho de 2018 foi o melhor de suas quatro candidaturas em números absolutos, com mais de 13 milhões de votos. Já o pleito de 2022 marcou seu pior resultado percentual em uma disputa presidencial.
De prefeito e governador a ministro
Apesar da sequência recente de derrotas, Ciro acumulou uma extensa trajetória eleitoral e administrativa antes de 2006. Ele iniciou a carreira política como deputado estadual no Ceará e posteriormente chegou à Prefeitura de Fortaleza, vencendo a eleição municipal de 1988.
Dois anos depois, Ciro foi eleito governador do Ceará. Deixou o governo estadual em 1994 e, durante a gestão de Itamar Franco, assumiu o Ministério da Fazenda. Anos mais tarde, no primeiro governo Lula, comandou o Ministério da Integração Nacional.
Foi depois de deixar o ministério que voltou às urnas e conquistou seu último mandato eletivo. Em 2006, então filiado ao PSB, foi eleito deputado federal pelo Ceará e exerceu o mandato entre 2007 e 2011.
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