O senador e candidato à reeleição pelo PSD, Sérgio Petecão, afirmou nesta sexta-feira (4), durante entrevista em sabatina do ac24horas, no Via Towers, em Rio Branco, que vive “um dos melhores momentos” de sua trajetória política, atribuindo essa avaliação à relação construída com lideranças comunitárias e prefeitos do interior do estado. Segundo ele, a mudança ficou evidente já na chegada ao estúdio da entrevista. “Eu estava aqui embaixo, não sei se você passou da imagem, mas eu estava ali e fui recepcionado por uma caravana de lideranças comunitárias, presidente de bairro. Eu nunca tive uma relação política tão forte como eu tenho hoje com os presidentes de bairro. Ali embaixo agora tinha mais de 100 presidentes de bairro ali”, relatou.

Foto: Sérgio Vale/ac24horas
O senador destacou ainda o apoio de prefeitos de municípios distantes da capital, com os quais afirma não ter tido, no passado, uma relação tão próxima. “Eu tornei público que tinha 21 prefeitos. Onde é que eu sonhava chegar em Marechal, chegar em Porto Walter, chegar na restauração? É difícil chegar nesse lugar mais distante. Eu estou muito feliz de ter o apoio dos prefeitos”, disse.
Ao falar sobre municípios isolados, Petecão citou o caso do Jordão como exemplo de uma aproximação construída ao longo dos últimos anos, relatando a conversa que teria tido com o prefeito após deixar de apoiá-lo em eleição anterior. “Eu vim dizer para ti que agora eu vou te apoiar. Eu vou lhe apoiar porque você é o cara que mais anda no Jordão. Tu é o cara que dorme no Jordão. Os outros políticos passam pelo Jordão”, teria dito o prefeito, segundo o senador. Petecão afirmou ainda que reconhece as dificuldades enfrentadas por municípios pequenos e isolados. “Hoje o Jordão é um dos municípios que eu mais ajudo. Aí o cara diz assim, ‘Ah, mas lá no Jordão não tem voto’. É verdade, tem pouco voto, mas tem um povo que precisa, e precisa muito”, declarou. O senador também recordou o transporte de máquinas para a região. “Você sabe que o Jordão é um município isolado. Agora no verão, os caras ficam numa situação muito difícil. Eu mandei uma vez duas máquinas para o Naldo lá no Jordão e as máquinas caíram dentro da água”, contou.
Outro município mencionado foi Santa Rosa do Purus, onde Petecão diz ter investido na pista de pouso local. “Hoje, um dos meus maiores prazeres eu tive em Santa Rosa. Santa Rosa hoje tem uma das melhores pistas do Acre. Uma pista que nós fizemos, que estamos fazendo, que ainda falta aí, acho que uns 100 metros. Uma pista de concreto”, disse. Para o senador, o tamanho do eleitorado não deve determinar a atenção dada a uma região. “Ah, mas lá em Santa Rosa não tem voto. Mas tem um povo que fica isolado”, afirmou.

Foto: Sérgio Vale/ac24horas
O senador voltou a defender sua atuação junto à agricultura familiar, citando os recursos direcionados à compra de máquinas para associações e cooperativas. “Hoje uma máquina daquela que é para a prefeitura, um ano, ela estava totalmente depenada. Hoje eu chego em algumas associações, os caras ficam limpando a máquina, o cara trata com carinho. E aquilo ali foi uma decisão modesta parte, não estou aqui querendo me vangloriar, mas foi eu que puxei aquela bandeira de nós ajudar”, disse. Ao comentar a valorização de produtos como a banana, Petecão foi enfático. “Esse dinheiro que eu põe na CONAB, o cara vendia uma caixa de banana por 3 reais, hoje ele vende um quilo de banana por 8,50, que ia para a mão do atravessador”.
Ao ser perguntado se acredita nas pesquisas eleitorais, Petecão foi direto. “Não é que eu não acredite. É porque, cara, tem uns números que eu não consigo ver da rua”. E emendou, comparando sua movimentação com a de outros candidatos. “Eu ando. A última caminhada foi na Vila Acre. Só o joelho tá dando, e agora nem isso está aliviando não”. Ele ainda citou a caminhada em Santa Rosa. “Nós chegamos em Santa Rosa, era uma hora da tarde, e fomos até a beira do rio”.
Sobre a possibilidade de enfrentar resistência entre eleitores ligados ao PT, o senador minimizou o risco e citou o apoio recebido do ex-deputado Sibá Machado. “Eu tenho no Sibá uma grande liderança. Eu amo essa zona rural. Eu ouço muitas pessoas se referindo ao Sibá de uma forma carinhosa”, disse. Ele também usou o exemplo do ex-governador Jorge Viana para argumentar que índices de rejeição não necessariamente impedem um candidato de receber votos. “Todo mundo dizia que o Jorge Viana tinha rejeição. Eu vejo aí um monte de gente dizendo que ia votar no Jorge. Vocês não estão vendo? Claro que estão vendo”, afirmou. Mesmo destacando essas alianças, Petecão fez questão de reforçar sua identidade partidária. “Eu não sou PT, eu sou PSD. Eu fiz parte da Frente Popular. Por mais que queira o meu outro lá, eu não sou do PT. O PT é 13, eu sou 55. Mas estou feliz com o apoio desse lado”.

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Questionado sobre o peso de seus 32 anos de vida pública em uma eleição marcada pelo discurso de renovação, Petecão respondeu sem rodeios que o sentimento de mudança identificado por ele entre os eleitores acreanos também pode atingir sua própria candidatura. “Pode. Lógico que pode”, admitiu. Ainda assim, o senador contou um episódio recente que, segundo ele, ilustra a resistência de parte do eleitorado em abandonar seu nome nas urnas. “Eu cheguei no Taquari, duas semanas atrás, o cara chegou e disse, ‘Mas eu não voto mais em ti, não’. Eu disse, ‘Meu irmão, o que eu fiz?’. Eu pensei que eu tinha feito alguma coisa. ‘Petecão, quando eu tinha 16 anos, eu já votava em ti’. Aí eu disse, ‘Meu irmão, olha pra mim. Vota só mais essa, sabe?’. Ele disse, ‘Ó, já me queixou. Eu vou ter que votar em ti’”, relatou. Para o senador, o tempo de mandato não deve ser o principal critério de avaliação de um parlamentar. “Não é tempo de mandato. É ação de mandato. O cara, o produtor rural, lá da agricultura familiar, porque eu tenho 32 anos de mandato, mas quem está trazendo o benefício dele sou eu”, afirmou.
O senador também criticou o que classificou como discurso vazio de parte da classe política. “Aí tem um bacana que não sei o quê, que não sei o quê, só conversa. O cara, quando vê um benefício, ele não quer saber se vem da direita ou se vem da esquerda. Ele quer saber se chega o benefício lá na comunidade dele”, declarou. E rejeitou rótulos ideológicos aplicados à sua atuação. “Essa conversa mole de que eu sou da direita, que eu sou da esquerda, não, rapaz. Vai lá onde o cabra tá. Vai lá conversar. Procura saber o que que tá precisando. Não é lá com o povo? Vê a situação do ramal”.
Sobre sua relação de amizade com o ex-presidente Jair Bolsonaro, construída antes das eleições de 2018, o senador contou detalhes pessoais da aproximação entre os dois. “Eu sou amigo pessoal do Bolsonaro. Nós tínhamos uma pelada de terça-feira e o Bolsonaro era da nossa zaga”, relatou.
Sobre o clima político em Brasília em meio às discussões envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal, o senador afirmou que a tensão é grande. “O clima está muito tenso. Eu não sei se vocês têm acompanhado a sessão de ontem. Então, o clima está muito tenso”, disse. Petecão disse não pretender transformar o tema em bandeira ideológica. “Eu jamais iria fazer como bandeira política, ideológica, ficar esculhambando o Xandão ou qualquer ministro”, declarou, referindo-se ao ministro Alexandre de Moraes. Para o senador, eventuais denúncias contra ministros devem ser analisadas com base nos fatos, independentemente da posição ideológica do investigado. “Pra mim, ele pode ser de direita, pode ser de esquerda, ele pode ser de onde for. Se tiver uma denúncia contra ele e for comprovada, a chance do Petecão não votar pelo impeachment é zero. Eu voto e não peço nem segredo. Vou tornar público”, afirmou. Ele defendeu ainda que o Senado assuma protagonismo no processo. “Eu acho que nós estamos perdendo a grande oportunidade do Senado se impor. Até porque nós não estamos precisando de ninguém”, disse, acrescentando que os parlamentares precisam primeiro formar maioria para apurar os fatos. “Eles têm que formar maioria. Eu vejo que eles estão estudando, conversando, para tentar formar maioria e apurar os fatos. Se o Xandão realmente deve, ele tem que ser responsabilizado”, declarou.
Ao falar sobre sua própria posição, destacou não responder a processos judiciais. “Tu sabe quantos processos o Petecão tem? Zero. Zero. Então eu não tenho problema de votar”, disse.
Ao comentar o cenário eleitoral no Acre, o senador preferiu não cravar prognósticos antes do resultado das urnas. “Eu sou do time que quer esperar o jogo terminar. O que vocês veem, o que alguns pesquisadores veem, não é necessariamente o que eu vejo”, afirmou. Na avaliação de Petecão, existe uma insatisfação crescente entre parte da população acreana, motivada principalmente pela saída de moradores em busca de oportunidades em outros estados. “Existe uma indignação muito grande. Tem muita gente indo embora do Acre. Isso fere as pessoas, família ficando aqui, dividindo famílias”, disse. Para ele, essas mudanças de estado, como para Santa Catarina, muitas vezes não decorrem de escolha, mas de falta de alternativas. “O cara não vai porque quer. O cara quer ficar no Acre, mas não tem mais opção”, afirmou.

Foto: Sérgio Vale/ac24horas
Ao encerrar sua participação, Petecão fez um apanhado de projetos que apresentou ao longo do mandato, entre eles a criação de uma zona de livre comércio para Assis Brasil e Capixaba e a isenção de imposto de renda para professores. “Eu tenho quarenta e cinco projetos. Eu tô criando a zona franca de Assis Brasil, Capixaba, Plácido de Castro. A isenção do imposto de renda pros professores é uma bandeira que eu venho lutando há muitos anos, hoje a maioria dos professores só fica esperando aula enquanto acabam no abandono de emprego, então nós temos que criar um atrativo para que essa mão de obra especializada permaneça dentro da sala de aula”, afirmou. O senador também citou o auxílio de fronteira criado para policiais federais e ações voltadas a professores do IFAC na região de fronteira. “Se nós não tivermos um atrativo para segurar esse pessoal, o pessoal não fica não, fica aqui para cumprir o tempo, dois anos, e depois vai todo mundo embora”, justificou. Ao final, pediu confiança ao eleitorado. “Vou pedir esse voto aqui, mais esse voto de confiança em vocês. Se vocês puderem me ajudar, eu ficarei muito grato. Não esqueça, não deixa a peteca cair”.