Candidato do PL interrompe agenda eleitoral para acompanhar articulação da oposição contra proposta defendida pelo governo Lula; pesquisa Quaest aponta que 69% dos brasileiros apoiam mudança na jornada de trabalho

Flávio BolsonaroCrédito: Reprodução Rede Globo
247 – O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, decidiu interromper sua agenda de campanha nesta terça-feira (1º) e permanecer em Brasília para acompanhar pessoalmente as articulações no Congresso contra o fim da escala 6×1, uma das principais bandeiras trabalhistas defendidas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As informações são do jornal O Globo.
A decisão coloca Flávio diretamente no centro de uma disputa que ganhou peso na campanha presidencial. Enquanto Lula defende a redução da jornada e o fim da escala em que trabalhadores cumprem seis dias de trabalho para apenas um de descanso, o candidato do PL busca construir uma alternativa baseada na flexibilização das relações trabalhistas.
A estratégia do candidato bolsonarista é apresentar uma proposta que, segundo seus aliados, amplie a chamada “liberdade” dos trabalhadores para negociar e decidir sua jornada. Na prática, Flávio se posiciona contra a proposta patrocinada pelo governo Lula para acabar com a escala 6×1.
A movimentação ocorre durante o esforço concentrado do Congresso Nacional, período em que deputados e senadores se reúnem em Brasília para votar matérias consideradas prioritárias. O governo tenta aproveitar a janela para avançar em sua agenda legislativa antes das eleições.
Além da mudança na jornada de trabalho, outra prioridade governista é a medida provisória que eliminou a chamada “taxa das blusinhas”, cobrança de 20% sobre compras internacionais de pequeno valor.
Flávio, porém, não pretende participar da votação dessa medida. Seus aliados também não planejam organizar uma ofensiva contra a MP, diante do risco de que sua rejeição provoque o retorno da tributação — cenário considerado eleitoralmente difícil de defender.
69% dos brasileiros apoiam mudança na jornada
A resistência ao fim da escala 6×1 coloca Flávio diante de uma questão particularmente sensível do ponto de vista eleitoral. Pesquisa Quaest realizada em julho mostrou que 69% dos brasileiros apoiam uma mudança na jornada de trabalho, enquanto apenas 22% são contrários.
O elevado apoio popular ajuda a explicar por que o tema se tornou uma das principais bandeiras sociais da campanha de Lula e, ao mesmo tempo, um terreno delicado para a oposição.
A proposta tem potencial para estabelecer uma divisão clara entre os projetos apresentados ao eleitorado: de um lado, Lula e seus aliados defendem maior tempo de descanso e uma nova organização da jornada; do outro, Flávio e setores da oposição argumentam em favor de maior flexibilização das relações entre empregados e empregadores.
Rogério Marinho articula resistência no Senado
No Senado, uma das principais figuras da resistência é o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN). A estratégia passa pelo uso de instrumentos regimentais para retardar a tramitação da proposta, incluindo pedidos de vista e resistência à apreciação de emendas.
A oposição pretende ampliar as discussões e dificultar uma votação acelerada, enquanto a base governista trabalha para avançar com a matéria durante o esforço concentrado.
A presença de Flávio em Brasília nesta terça-feira reforça politicamente essa articulação e busca marcar uma posição distinta daquela defendida por Lula.
Flávio deixa Brasília na quarta-feira
Apesar de interromper temporariamente a campanha para acompanhar as negociações no Congresso, Flávio Bolsonaro deverá retomar sua agenda eleitoral já na quarta-feira (2), quando viajará ao Rio Grande do Sul.
No estado, estão previstos compromissos relacionados ao agronegócio e gravações para o horário eleitoral. Com a viagem, o candidato não deverá acompanhar a votação da PEC na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
A disputa em torno da escala 6×1 tende a permanecer no centro da campanha presidencial. Ao transformar a redução da jornada em uma de suas prioridades, Lula aposta em uma pauta com amplo apoio popular. Já Flávio tenta formular um discurso alternativo de flexibilização trabalhista, ao mesmo tempo em que seus aliados no Congresso trabalham para impedir ou retardar o avanço da proposta.
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