Em encontro com empresários, Mercadante faz discurso histórico e convoca setor à responsabilidade com a democracia

Em discurso histórico durante jantar com mais de 800 empresários, presidente do BNDES reafirmou o projeto do Estado como indutor de desenvolvimento

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Aloizio Mercadante/Lula Marques/Agência Brasil

Opresidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, defendeu nesta sexta-feira (25), em um discurso histórico, a continuidade do projeto de desenvolvimento liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Em jantar realizado em São Paulo, o dirigente também abordou política industrial, transição energética, responsabilidade fiscal e soberania nacional.

O evento reuniu mais de 800 representantes dos setores empresarial, financeiro e produtivo. O encontro foi organizado pelos grupos Prerrogativas, Esfera Brasil e Parlatório e teve como objetivo promover o diálogo entre empresários e integrantes do governo.

Durante sua exposição, Mercadante apresentou o BNDES como instrumento de financiamento da política industrial e de transição ecológica. Segundo ele, a atuação do banco combina crédito direcionado, financiamento em condições de mercado e compartilhamento de riscos entre o setor público e a iniciativa privada.

“Não há país no mundo que tenha feito transição ecológica ou inovação de fronteira sem a partilha de risco do Estado. O que nós fizemos no BNDES foi provar que é possível ter crédito indutor, verde e inclusivo, com 68% dos recursos operando a taxas de mercado e com inadimplência em níveis historicamente baixos.”

BNDES e neoindustrialização

Mercadante afirmou que o banco passou a ocupar papel central na estratégia de neoindustrialização do governo. Na avaliação do presidente da instituição, a maior participação de operações realizadas a taxas de mercado contraria críticas de que os bancos públicos funcionariam principalmente por meio de subsídios.

A agenda industrial, segundo ele, precisa estar associada à descarbonização da economia e à transição energética. Entre as prioridades mencionadas estiveram projetos de restauração florestal, reflorestamento e expansão de fontes de energia limpa.

O presidente do BNDES também defendeu a utilização de recursos provenientes de setores estratégicos, incluindo petróleo, para financiar investimentos de longo prazo e a transformação da matriz produtiva brasileira.

Para Mercadante, o desenvolvimento de tecnologias de fronteira exige a divisão de riscos entre governos e empresas, modelo que, segundo ele, também é adotado por grandes economias internacionais.
Minerais críticos e soberania

Outro ponto destacado no discurso foi a exploração de minerais críticos e terras raras. Mercadante afirmou que o Brasil deve evitar uma posição baseada apenas na exportação de matérias-primas e buscar agregar valor aos recursos dentro do próprio país.

“Nós não seremos meros exportadores de matéria-prima no século 21. Os minerais críticos e as terras raras têm que gerar valor aqui dentro, desenvolver a indústria nacional e servir à soberania do Brasil.”

O dirigente citou a Embraer como exemplo de uma indústria de alta tecnologia desenvolvida a partir da combinação entre planejamento estatal e participação empresarial. Na avaliação apresentada no jantar, o domínio de cadeias produtivas estratégicas é também uma questão de soberania diante das disputas econômicas e tecnológicas internacionais.

Mercadante ainda destacou a participação brasileira no Sul Global, nas negociações climáticas e em fóruns multilaterais, em contraste com períodos anteriores que classificou como de maior isolamento internacional.
Responsabilidade fiscal

No campo econômico, o presidente do BNDES defendeu a necessidade de responsabilidade fiscal e citou os governos de Lula como referência de períodos de geração de superávits primários. Também elogiou a condução técnica do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Ao mesmo tempo, afirmou que o equilíbrio das contas públicas não deve ser atribuído exclusivamente ao Executivo. Mercadante mencionou o impacto dos precatórios e o crescimento das emendas parlamentares como fatores que também pressionam o orçamento federal.

A partir disso, defendeu uma divisão de responsabilidades entre os Poderes da República para enfrentar os problemas fiscais estruturais.
Defesa de Lula e da democracia

Na parte final do discurso, Mercadante relacionou a agenda econômica à estabilidade institucional. Ele defendeu a continuidade da parceria política entre Lula e Alckmin e atribuiu à aliança papel relevante na recuperação da normalidade democrática.

O presidente do BNDES também convocou o empresariado a se posicionar em defesa das instituições e contra o extremismo e a violência política.

“Lula não pertence apenas ao Brasil; é uma referência planetária de estadismo, de diálogo e de paz mundial. Defender este projeto e a estabilidade democrática contra a barbárie do extremismo e das milícias é o dever histórico de quem pensa no futuro do nosso povo.”

Ao encerrar sua participação, Mercadante afirmou que o crescimento econômico sustentável depende da preservação da Constituição e do Estado Democrático de Direito.

Veja o discurso na íntegra abaixo:

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