Redação Folha do Acre
03/09/2026 09:19

Os candidatos ao Governo do Acre e ao Senado Federal já receberam R$ 15.412.484,67 do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para a eleição de outubro de 2026, segundo as prestações de contas disponibilizadas pela Justiça Eleitoral. Os dados mostram forte concentração dos recursos em cinco candidaturas.
O levantamento considera apenas os valores identificados como provenientes do Fundo Eleitoral, sem incluir doações de pessoas físicas, recursos próprios ou outras receitas de campanha declaradas pelos candidatos.
Governo do Estado
Entre os seis candidatos ao Governo do Acre, quatro já registram repasses do fundo. A governadora Mailza Assis (Progressistas) lidera com R$ 3,03 milhões enviados pela direção nacional do partido, quantia que corresponde a cerca de 85% do limite de gastos permitido para o primeiro turno no estado, fixado em R$ 3,557 milhões pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O senador Alan Rick (Republicanos) aparece na sequência, com R$ 1,75 milhão repassados pela direção nacional da legenda, o valor compõe R$ 1,8 milhão em receitas já declaradas pela campanha, restando R$ 50 mil de outra origem. O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PSDB), recebeu R$ 298,2 mil do diretório nacional do partido, montante inferior a um sexto do repassado a Alan Rick.
Eudo Raffael (PCB) declarou R$ 9.220 em receitas, mas o valor não é oriundo do Fundo Eleitoral: segundo a prestação de contas, os recursos vieram de doação própria e de plataforma de arrecadação. Thor Dantas (PSB) e Dr. Luisinho (Agir) não registram, até o momento, repasses do fundo.
Senado tem os maiores valores
A concentração é ainda maior na disputa pelas duas vagas ao Senado. O senador Gladson Cameli (PP) recebeu R$ 3,03 milhões da direção nacional do Progressistas, valor integralmente proveniente do Fundo Eleitoral. Márcio Bittar (PL) aparece logo atrás, com R$ 3,02 milhões repassados pela direção nacional do Partido Liberal, aos quais somou R$ 20 mil de recursos próprios, totalizando R$ 3,04 milhões em receitas.
Sérgio Petecão (PSD) recebeu R$ 1,5 milhão do partido. Jorge Viana (PT) foi contemplado com R$ 1.588.286,27 pela legenda e acrescentou outros valores à campanha, somando R$ 1.608.286,27. Mara Rocha (Republicanos) recebeu R$ 1.195.998,40 do partido e mais R$ 2 mil em doação, chegando a R$ 1.197.998,40.
Eduardo Velloso (Solidariedade) declarou R$ 9 mil, provenientes de doação familiar e não do fundo público. Professor Inácio Moreira (PSOL) registrou R$ 1.349 de recursos próprios. Júnior Feitosa (DC) não havia registrado recursos recebidos até a atualização consultada.
Gladson Cameli e Márcio Bittar estão próximos do limite individual de gastos para candidatos ao Senado no primeiro turno, de R$ 3,176 milhões: Cameli já recebeu cerca de 95% do teto, e Bittar chegou a percentual semelhante somando apenas o repasse do fundo.
Cinco nomes concentram a maior parte dos recursos
Somados os repasses às duas disputas majoritárias, Mailza Assis, Gladson Cameli, Márcio Bittar, Alan Rick e Jorge Viana reúnem sozinhos cerca de R$ 12,4 milhões do Fundo Eleitoral, o equivalente à quase totalidade dos R$ 15,4 milhões já distribuídos no estado.
No Governo, Mailza Assis recebeu mais de dez vezes o valor destinado a Tião Bocalom e quase o dobro do repasse a Alan Rick. No Senado, os dois primeiros colocados em recursos já ultrapassam R$ 3 milhões cada, enquanto três candidatos ainda não registraram nenhum valor do fundo.
Os números refletem um retrato momentâneo da campanha. As prestações de contas são atualizadas ao longo do período eleitoral, e os partidos ainda podem realizar novos repasses às candidaturas. O Fundo Eleitoral de 2026 soma R$ 4.961.519.777 para distribuição entre os partidos em todo o país, conforme dados do TSE.