Governo Lula anuncia salário mínimo de R$ 1.741 para 2027, com aumento de 7,4% acima da inflação


Reajuste previsto pelo Ministério da Fazenda representa um incremento de R$ 120 no salário mínimo e mantém política de valorização do piso nacional retomada no atual governo
Por: Ivan LongoPublicado: 25/08/2026 - às 05h41| 4 min de leitura

Lula e Dario Durigan, que anunciou aumento do salário mínimo para 2027 - Foto: Gabriela Biló/Folhapress

salário mínimo brasileiro deverá chegar a R$ 1.741 em 2027, segundo a nova estimativa apresentada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta segunda-feira (24). O valor representa um aumento de R$ 120, ou 7,4%, em relação ao piso atual, de R$ 1.621, e inclui ganho real, ou seja, reajuste acima da inflação projetada.

A previsão será incorporada ao Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, que o governo federal enviará ao Congresso Nacional até 31 de agosto. O reajuste segue a política de valorização do salário mínimo adotada pela gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que combina a reposição da inflação com o crescimento econômico.

Governo mantém valorização do salário mínimo e amplia poder de compra

O valor projetado para 2027 supera em R$ 24 a estimativa anterior de R$ 1.717, que constava no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) apresentado em abril pelo governo.

O aumento de 7,4% fica acima da projeção de inflação para o fim de 2026, estimada em 5,02% pelo mercado no Boletim Focus, garantindo um reajuste real para quem recebe o piso nacional.

Após reunião com o presidente Lula e ministros da área econômica, Dario Durigan afirmou que a proposta orçamentária será apresentada ao Congresso com uma nova orientação de prioridades.

“Todas as definições foram tomadas”, declarou o ministro, afirmando que o orçamento será “muito diferente do orçamento que a gente recebeu” e que a projeção está “dentro do nosso espírito de privilegiar a população mais carente”.

A política de valorização do salário mínimo voltou a vigorar no atual governo e tem como objetivo recuperar o poder de compra dos trabalhadores e beneficiários que têm seus rendimentos vinculados ao piso nacional.

Veja vídeo do anúncio de Dario Durigan:


Reajuste também beneficia aposentados, pensionistas e programas sociais

A decisão do governo de manter a vinculação dos benefícios ao salário mínimo significa que o reajuste também terá impacto sobre milhões de brasileiros que recebem valores atrelados ao piso.

Entre os benefícios que acompanham o salário mínimo estão:aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS);
Benefício de Prestação Continuada (BPC);
seguro-desemprego;
contribuição previdenciária dos Microempreendedores Individuais (MEIs).

Cerca de 45% dos benefícios do Regime Geral da Previdência Social têm valor vinculado ao salário mínimo.

A projeção de R$ 1.741 considera a regra de valorização retomada pelo governo, que leva em conta a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes, respeitando os limites previstos pelo arcabouço fiscal.

Entre janeiro de 2023 e janeiro de 2026, o salário mínimo acumulou ganho real estimado de 11,9%, conforme já havia mostrado a Fórum com base nos valores oficiais e no INPC. O resultado reverte o cenário observado entre 2020 e 2022, quando os reajustes praticamente apenas recompunham a inflação.
Valor final será definido após divulgação da inflação de 2026

Apesar da projeção de R$ 1.741, o valor definitivo do salário mínimo de 2027 ainda dependerá da inflação acumulada até novembro de 2026.

O cálculo final será atualizado após a divulgação do INPC pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Caso a inflação efetiva fique diferente da estimativa atual, o piso nacional poderá sofrer alteração antes de entrar em vigor em janeiro de 2027.

O PLOA de 2027 será enviado pelo governo ao Congresso até 31 de agosto e seguirá para análise dos parlamentares.

Segundo Durigan, a equipe econômica projeta superávit fiscal em 2027 e avalia que as medidas adotadas pelo governo permitem ampliar a capacidade de crescimento das despesas obrigatórias dentro das regras estabelecidas.

“As medidas todas que nós fomos adotando têm esse condão de dar racionalidade, de modo que a regra com o ganho real do arcabouço fiscal já vai ter um crescimento maior do que as [despesas] obrigatórias amplamente consideradas”, afirmou o ministro.

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