O mapa da eleição: quem dominar as regionais sai na frente na corrida pelo governo

A pouco mais de três meses da eleição, os pré-candidatos já entenderam que não basta liderar levantamentos


Candidatos a governador nas eleições deste ano/Foto: Reprodução

Pesquisa mede intenção de voto. Eleição, de verdade, mede capacidade de transformar influência regional em votos. E é justamente nesse ponto que a disputa pelo Palácio Rio Branco começa a ganhar contornos mais claros.

A pouco mais de três meses da eleição, os pré-candidatos já entenderam que não basta liderar levantamentos. É preciso dominar territórios. E, nesse jogo, governadora Mailza Assis (PP) e senador Alan Rick (Republicanos) parecem ter saído alguns passos à frente ao montar palanques robustos nas principais regiões do estado.

Rio Branco, maior colégio eleitoral do Acre, é um retrato dessa disputa.

Alan chega com um ativo importante: o apoio do deputado estadual Emerson Jarude, o mais votado da capital na última eleição. Mailza respondeu construindo uma base própria ao reunir o grupo dos terceirizados, que levou à Câmara Municipal o vereador mais votado da cidade, Bruno Moraes, e à Assembleia Legislativa Fagner Calegário, segundo deputado estadual mais votado em Rio Branco.

Mas quem talvez carregue o maior patrimônio político na capital seja Tião Bocalom. Ele foi eleito duas vezes prefeito de Rio Branco e entra na disputa com o apoio do atual prefeito, Alysson Bestene. Em outras palavras, terá ao seu lado a máquina da maior prefeitura do estado e uma estrutura política que conhece o eleitorado da capital como poucos.

Se Rio Branco concentra votos, o Alto Acre distribui influência.

Também ali Mailza e Alan travam uma disputa direta por lideranças históricas.

A governadora reuniu ao seu lado a deputada estadual Maria Antônia e o ex-prefeito Deda, nomes com forte presença regional. Em Brasileia, soma ainda os apoios do prefeito Carlinhos do Pelado e da ex-prefeita Leila Galvão. Em Xapuri, conta com o prefeito Maxsuel Maia, a família do líder do governo na Aleac, Manoel Moraes, além da deputada federal Antônia Lúcia, outra liderança consolidada no município.

Alan responde com uma das famílias de maior tradição política da região: os Hassem. A ex-prefeita Fernanda Hassem e o deputado estadual Tadeu Hassem fortalecem seu palanque no Alto Acre, que ainda recebe o reforço da ex-deputada Vanda Milani.

Porém, também da família Hassem, o ex-prefeito de Epitacioândia, André Hassem e do pai, Luizinho Hassem, estão com Mailza.

Thor Dantas também encontrou um espaço próprio. Seu principal ativo na região é a esquerda tradicional de Xapuri, município onde o PT governou por diversos mandatos e ainda preserva uma base eleitoral relevante.

Bocalom, por sua vez, também não pode ser subestimado. Antes de chegar à Prefeitura de Rio Branco, construiu sua trajetória política em Acrelândia, onde foi eleito e reeleito prefeito por três mandatos, mantendo raízes eleitorais importantes no Alto Acre.

Mas é quando a campanha olha para o Vale do Juruá que a eleição costuma mudar de patamar.

Não por acaso, todos os candidatos voltaram suas atenções para a segunda maior região eleitoral do Acre. A história recente explica o movimento. Nas últimas disputas estaduais, praticamente todos os governadores ou vices tinham alguma ligação política ou familiar com o Juruá.

Mailza parece ter entendido esse recado ao escolher como vice Jéssica Sales, integrante de uma das famílias mais tradicionais da região. Soma ainda ao seu grupo o ex-governador Gladson Cameli, o presidente da Assembleia Legislativa, Nicolau Júnior, e o deputado federal Zezinho Barbary, ex-prefeito de Porto Walter.

Alan garantiu um dos apoios mais estratégicos possíveis: o prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, responsável pela administração do segundo maior colégio eleitoral acreano.

Thor chega respaldado pelo ex-deputado Jonas Lima, liderança tradicional de Mâncio Lima conhecida como “rei do café”, além do ex-deputado César Messias, outro sobrenome de peso na política regional.

Enquanto isso, Bocalom intensifica agendas e articulações pelos municípios do Juruá. O ex-prefeito sabe que dificilmente alguém chega competitivo ao segundo turno sem construir uma base sólida na região.

No fim das contas, as pesquisas continuarão ocupando manchetes nas próximas semanas. Mas elas contam apenas parte da história.

No Acre, eleição se vence quando a força das lideranças locais consegue atravessar rios, estradas e municípios. E, tradicionalmente, quando chega a hora da decisão, o Juruá costuma ter a palavra final.
Postar um comentário (0)
Postagem Anterior Próxima Postagem