Vitória da Argentina sobre a Suíça se concretizou apenas no segundo temo da prorrogação

Argentina comemora a vitória - Thomas COEX / AFP)
AArgentina fez dois gols no segundo tempo da prorrogação e venceu a Suíça por 3 x 1, alcançado a semifinal da Copa. Vai enfrentar a Inglaterra, que eliminou a Noruega. O jogo será dia 16, quarta-feira, em Atlanta. As semifinais reúnem quatro campeões mundiais, (Espanha, França, Argentina e Inglaterra) o que se viu apenas em 1970 (Brasil, Inglaterra, Itália e Alemanha) e 1990 (Argentina, Itália, Inglaterra e Alemanha).
“Sofrer, torcer, ganhar. Está em nosso DNA e por isso se disfruta em dobro. A mística segue intacta e este grupo vai por tudo. Próxima parada: as semifinais”.
O tuíte da conta da seleção argentina, após a passagem para a semifinal, resume bem o que tem sido a campanha da Argentina no Mundial em que defende sua coroa: um time que cai e se levanta, que é machucado e se cura rapidamente, um time que vai para as cordas e consegue um murro salvador, um time em comunhão com sua gente, que transforma sofrimento em vitórias.
Depois de vencer os três jogos contra adversários frágeis designados pelo sorteio – Argélia 3 x 0, Áustria 2 x 0 e Jordânia 3 x 1 – a Argentina chegou aos mata-matas com pinta de goleadas. Não foi nada disso. Venceu Cabo Verde na prorrogação, por 3 x 2, repetiu o placar contra o Egito, conseguindo a virada em 13 minutos e voltou a sofrer contra a Suíça.
Não era isto que o início do jogo deixava prever. Logo a nove minutos, Messi cobrou um escanteio e MacAllister fez, de cabeça. No banco de reservas, muita comemoração com o auxiliar Walter Samuel, ex-zagueiro, que deve ser o autor da jogada ensaiada. Foi o segundo gol de MacAllister no Mundial e a décima assistência de Messi em todas as Copas.
Até o final do primeiro tempo, o que se viu foi a Argentina trocando passes, controlando a partida e levando alguns sustos de uma Suíça que atacava, mas sem profundidade. Dibu fez duas defesas tranquilas. Aos 43 minutos, ocorreu um lance que, mais tarde, faria a diferença na partida: Embolo levou amarelo por falta em Paredes.
O segundo tempo começou com a Suíça dominando. Com cinco minutos, Embolo ganhou de Molina e tocou para Ndoye. Lisandro Martinez fez um bloqueio fundamental, mas havia impedimento. Foi um aviso de quem não haveria facilidades.
Messi não encontrava espaços, De Paul e Enzo Fernandez começaram a jogar com menor intensidade e a Suíça foi encurralando a Argentina. Com 20 minutos, Dibu salva chute de Xakha e a Argentina tem onze em seu campo, inclusive Messi. Romero chuta para longe, a bola vai para o campo da Suíça sem nenhum argentino chegar.
Com 23 minutos, chegou o gol que já era esperado. Ndoye, pela esquerda, tabelou com Rodriguez e marcou, entre as pernas de Dibu.
A Suíça era dona do jogo, a Argentina estava dominada totalmente e, então, apareceu o Sobrenatural de Almeida, do nosso Nélson Rodrigues. Aos 26 minutos, Embolo disputa a bola com Paredes e vai ao chão. O juiz dá amarelo para o argentino. O VAR interfere e mostra que não houve falta. Houve simulação de Embolo. Ele levou o segundo amarelo e foi expulso.
A expulsão acabou com a Suíça. Houve a parada para a hidratação e a Argentina voltou para resolver o jogo. Como? Como sempre, com muitos toques curtos no meio e pouca profundidade, quase nenhuma jogada pelas pontas. E Scaloni tenta consertar, trocando o lateral esquerdo Tagliafico pelo ponta Nico González.
A Suíça se fechou totalmente, fazendo juz à sua fama de ferrolho. A Argentina tocava, tocava e batia no muro. Aos 39, Paredes tocou para Messi, ele tentou encobrir Kobel, que defendeu. O juiz deu impedimento de Messi. Scaloni trocou de Paul por Lautaro e e Molina por Montiel. Mais gente na área e mais qualidade nos cruzamentos. Murat Yakin faz troca tripla para dar mais frescor ao time: saíram Nsoye, Rieder e Sow para as entradas de Amdouni, Muheim e Widmer.
O segundo tempo teve nove minutos de acréscimo e todo o tempo foi argentino, com chute de Messi perto da trave e Kobel segurando os centros com firmeza.
Para a prorrogação, veio Almada em lugar de Enzo Fernández. A Argentina passa a ter Lautaro, Julián, Messi e Almada no ataque. Apenas Paredes e MacAllister mais atrás. Almada teve chances aos três e cinco minutos, mas nada de gol.
Otamendi entrou por Romero no início do segundo tempo da prorrogação. E, com quatro minutos, Flaco López entrou por Paredes, muito cansado. Agora, são cinco atacantes.
E o jogo destravou, para a Argentina, aos sete minutos. Flaco López achou Julián Alvarez na esquerda e ele acertou de curva no canto esquerdo de Kobel. Indefensável. Foi o primeiro gol de Julián na Copa, ele que faz quatro no Catar e 2022.
A Suiça colocou Vargas em lugar de Freuler e foi para o ataque, sempre buscando Akanji, o zagueiro que virou centroavante.
Cenário típico para um contra-ataque. E ele veio nos acréscimos. Kobel defendeu cara a cara com Almada e Lautaro pegou o rebote.
Uma visão mais realista mostra que a Argentina precisa melhor muito para ser bicampeã. O meio-campo tem falhado, Enzo Fernández esteve fraco na marcação. Tudo é difícil, mas que é bonito ver um time superando dificuldades, com mente vencedora, isto é.
A Inglaterra será o primeiro adversário importante da Argentina, desde novembro do ano passado. Desde então, ela enfrentou equipes fracas como Angola, Porto Rico, Mauritânia, Zâmbia, Honduras, Islândia, Argélia, Áustria, Jordânia, Cabo Verde e Suíça. Em Copas do Mundo, não vence um campeão do Mundo desde o Brasil em 1990.
Vai ser duro.