Desmatamento na Amazônia se aproxima da mínima histórica em maio, enquanto Cerrado segue com alertas maiores, apontam dados do Inpe
12 de junho de 2026, 06:26 h

Desmatamento na Amazônia se aproxima da mínima histórica em maio (Foto: Freepik)
247 - O desmatamento na Amazônia se aproximou da mínima histórica em maio, enquanto o Cerrado segue com alertas maiores, apontam dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). O levantamento registrou 370 km² de floresta amazônica derrubada no mês, patamar muito próximo da menor marca já observada para maio, de 363 km², registrada em 2017.
Os números fazem parte do Deter, sistema do Inpe voltado à detecção em tempo real de alertas de desmatamento. A ferramenta é usada para orientar ações de fiscalização e combate à derrubada ilegal de vegetação, mas não representa uma medição definitiva da área desmatada. Ainda assim, os dados permitem identificar tendências na supressão vegetal nos biomas monitorados.
No caso da Amazônia, a série atual do Deter começa em 2015/2016. O monitoramento por esse sistema teve início em 2004, mas os sensores usados naquele período tinham menor capacidade de detectar a derrubada de mata. A marca de maio reforça uma trajetória recente de redução nos alertas de desmatamento, especialmente quando comparada aos níveis elevados observados em anos anteriores.
Cerrado segue com alertas acima da Amazônia
Enquanto a Amazônia registrou 370 km² em alertas de desmatamento em maio, o Cerrado somou 776 km² no mesmo período. Embora tenha cerca de metade do tamanho da Amazônia, o bioma continua apresentando números de supressão vegetal superiores aos registrados na floresta amazônica.
O Cerrado tem papel estratégico para a segurança hídrica do país e vem sendo acompanhado com atenção diante da pressão sobre sua vegetação nativa. Apesar do volume elevado, o resultado de maio representa queda de cerca de 12% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O número também ficou relativamente próximo da mínima histórica para maio no bioma, de cerca de 701 km², registrada em 2020.
Para o Cerrado, a série do Deter começa em 2017/2018. Assim como ocorre na Amazônia, os dados servem principalmente como instrumento de alerta e acompanhamento de tendências, não como balanço consolidado da área desmatada.
Lula cita queda nos alertas e rebate Estados Unidos
A tendência recente de queda nos alertas de desmatamento foi mencionada pelo presidente Lula (PT) na quinta-feira (11), durante agenda na sede da OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica), em Brasília. Ele afirmou que os Estados Unidos mentem ao usar o meio ambiente como argumento para justificar um novo tarifaço.
Lula disse que é necessário enviar os dados ao “cidadão do comércio dos Estados Unidos que coloca a questão do desmatamento como justificativa”, em referência a Jamieson Greer, representante de comércio norte-americano.
Com base nos números do Deter, o presidente apontou redução de 37,5% nos alertas de desmatamento na Amazônia entre agosto de 2025 e maio deste ano, em comparação com o mesmo intervalo anterior.
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, também associou os dados à contestação do argumento ambiental usado pelos Estados Unidos. “[Os números] põem por terra, definitivamente, a acusação injusta, improcedente, dos Estados Unidos, que incluiu o desmatamento na Amazônia para justificar medidas para imposição de tarifas”, afirmou.