CACIQUE ASSIS KAXINAWÁ APRESENTA A FORÇA DA ALDEIA PINUYÁ E REVELA COMO CULTURA, MEDICINA TRADICIONAL E TURISMO INDÍGENA ESTÃO TRANSFORMANDO A COMUNIDADE



Por Raimundo Accioly – Blog do Accioly

Em uma entrevista exclusiva concedida ao Blog do Accioly e ao canal de YouTube Accioly Gomes, o líder indígena Assis Kaxinawá, cacique da Aldeia Pinuyá, abriu as portas da comunidade para apresentar sua história, seus desafios e os avanços conquistados nos últimos anos.

Localizada a apenas oito quilômetros da cidade de Tarauacá, a Aldeia Pinuyá se tornou uma das principais referências culturais do povo Huni Kuin no Acre, recebendo visitantes do Brasil e de diversos países do mundo interessados em conhecer a cultura indígena, participar de vivências tradicionais e aprender sobre os conhecimentos ancestrais preservados pela comunidade.
A MENOR TERRA INDÍGENA DA REGIÃO NORTE

Durante a conversa, o cacique destacou uma característica pouco conhecida da Pinuyá: a terra indígena é considerada a menor da Região Norte em extensão territorial.

São aproximadamente 305 hectares onde vivem atualmente cerca de 250 indígenas Huni Kuin distribuídos em 55 famílias.

Apesar da limitação territorial, a comunidade vem crescendo e se fortalecendo.

"Estamos nos organizando e nos fortalecendo cada dia mais na cultura, na agricultura, na medicina e também acompanhando o mundo moderno e a tecnologia", destacou o líder indígena.
CULTURA VIVA E RESGATE DAS TRADIÇÕES

Um dos pontos centrais da entrevista foi o trabalho de fortalecimento cultural realizado na aldeia.

Segundo Assis Kaxinawá, os jovens estão cada vez mais envolvidos no aprendizado das tradições, das cantorias, dos rituais e dos conhecimentos transmitidos pelos mais velhos.

Ao mesmo tempo, a comunidade busca equilibrar tradição e modernidade.

"Acompanhamos o mundo moderno sem abandonar nossas raízes. Os jovens aprendem nossa cultura e também utilizam a tecnologia para mostrar nossa realidade ao mundo", explicou.
MEDICINAS TRADICIONAIS ATRAEM VISITANTES DO MUNDO INTEIRO

A Aldeia Pinuyá tornou-se um importante centro de vivências tradicionais indígenas.

Segundo o cacique, pessoas de várias partes do Brasil, da Europa, dos Estados Unidos e de outros continentes visitam a comunidade em busca das medicinas tradicionais indígenas.

Entre as práticas mais procuradas estão:Ayahuasca;
Rapé;
Sananga;
Kampô;
Banhos medicinais;
Cerimônias tradicionais;
Cantorias sagradas.

Assis explica que muitos visitantes chegam à aldeia buscando bem-estar físico, emocional e espiritual.

"Muitas pessoas vêm procurando cura para a mente, para o corpo e para diversos problemas de saúde. As medicinas tradicionais têm chamado a atenção do mundo inteiro", afirmou.
AGENDA LOTADA DE VISITANTES INTERNACIONAIS

A procura pelas experiências culturais oferecidas pela Pinuyá cresceu tanto que a comunidade já possui agenda definida para vários meses.

Segundo o cacique, grupos de estrangeiros devem visitar a aldeia durante todo o segundo semestre de 2026.

"Junho, julho, agosto e os próximos meses já têm programação de visitas. Estamos organizados para receber pessoas de vários países", informou.
PRODUÇÃO DE ALIMENTOS E AUTOSSUSTENTAÇÃO

Além da preservação cultural, a comunidade também investe na produção de alimentos.

A aldeia trabalha atualmente com:Piscicultura;
Criação de frangos;
Agricultura familiar;
Produção de alimentos para consumo próprio e comercialização.

Segundo o líder indígena, a produção é uma necessidade diante do crescimento populacional da comunidade.

"Estamos crescendo e precisamos produzir cada vez mais alimentos para garantir a alimentação das famílias", explicou.

O DESAFIO DO RAMAL DA PINUYÁ

Um dos assuntos que mais preocupam a comunidade continua sendo o acesso à aldeia.

Diferente da maioria das aldeias indígenas da região de Tarauacá, que possuem acesso fluvial, a Pinuyá depende exclusivamente do ramal para ligação com a cidade.

Durante o inverno amazônico, os oito quilômetros de estrada tornam-se um grande desafio.

Segundo Assis Kaxinawá, muitas vezes a própria comunidade precisa contratar máquinas para retirar atoleiros e garantir passagem para emergências médicas e transporte da produção agrícola.

"A distância é pequena, mas durante o inverno ela se torna muito longa por causa da lama. Já perdemos produção por falta de condições de transporte", relatou.

Mesmo diante das dificuldades, a liderança indígena segue buscando apoio para melhorar definitivamente a estrada de acesso.
UM CONVITE AO ACRE, AO BRASIL E AO MUNDO

Ao final da entrevista, o cacique fez um convite aberto para que pessoas interessadas em conhecer a cultura Huni Kuin visitem a Aldeia Pinuyá.

A poucos quilômetros de Tarauacá, a comunidade oferece uma experiência de contato com a natureza, com a cultura indígena e com os conhecimentos ancestrais preservados há gerações.

"Estamos fortalecendo nossa cultura, nossa agricultura e acompanhando o mundo moderno. Quem quiser conhecer a aldeia Pinuyá será muito bem-vindo", convidou.
PINUYÁ: UMA PONTE ENTRE A FLORESTA E O MUNDO

A entrevista revela uma realidade cada vez mais presente na Amazônia acreana: comunidades indígenas que preservam seus conhecimentos ancestrais enquanto constroem caminhos para dialogar com o mundo contemporâneo.

Na Aldeia Pinuyá, tradição e modernidade caminham juntas. O som dos maracás divide espaço com a internet. Os cantos tradicionais ecoam para visitantes internacionais. E a floresta continua sendo a principal escola de um povo que luta diariamente para preservar sua identidade, sua cultura e seu território.

Uma experiência que coloca Tarauacá no mapa internacional das vivências culturais indígenas e reforça o protagonismo do povo Huni Kuin na preservação dos saberes ancestrais da Amazônia.
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