'Quem diria que um dia ia me casar', afirmou esposa morta por guarda municipal no dia do casamento

Nájylla Duenas enviou mensagem celebrando união horas antes do crime; guarda municipal segue preso por feminicídio
11 de maio de 2026, 17:45 h


Nájylla Duenas Nascimento, de 34 anos, morreu baleada no dia em que oficializou o casamento; horas antes da cerimônia, ela celebrou a união em mensagem enviada a familiares (Foto: Arquivo pessoal)

247 - Nájylla Duenas Nascimento, de 34 anos, morreu a tiros no sábado (9), poucas horas após oficializar o casamento civil com o guarda municipal Daniel Barbosa Marinho, de 55 anos. A vítima deixou três filhos, de 15, 12 e 8 anos, que presenciaram o crime. Antes de morrer, Nájylla enviou mensagens a familiares comemorando a união. “Quem diria que um dia ia me casar”, escreveu. Os relatos foram publicados no Portal G1.

As informações sobre o caso apontam que o crime ocorreu após uma discussão entre o casal. Segundo o boletim de ocorrência, familiares conseguiram retirar as crianças do local durante uma luta corporal. Em seguida, o guarda municipal pegou a arma funcional, agrediu Nájylla e disparou contra ela antes de fugir.

Testemunhas afirmaram que Daniel retornou à residência momentos depois e efetuou novos tiros. Equipes do Samu socorreram a vítima, mas ela não resistiu aos ferimentos. O caso ganhou ainda mais repercussão por ocorrer na véspera do Dia das Mães.

De acordo com a Guarda Municipal, o próprio agente acionou a corporação após o assassinato. Policiais levaram Daniel para a 2ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), onde ele permaneceu preso em flagrante.

A corporação informou que abriu procedimento administrativo disciplinar e determinou o afastamento preventivo do servidor por 90 dias. O processo interno pode resultar na demissão do agente.
Histórico de agressões

A mãe da vítima, Rosilaine Alves Duenas, afirmou que o guarda apresentava comportamento agressivo quando consumia bebida alcoólica. Segundo ela, familiares alertaram Nájylla diversas vezes sobre o relacionamento, mas a filha decidiu manter o casamento.

“Não é fácil, meu filho. Só Deus”, declarou Rosilaine, emocionada, ao comentar a morte da filha.

Ela também revelou que Nájylla realizava o sonho de estudar Direito em uma faculdade on-line. “Queria se formar advogada”, contou.

A vítima era a mais velha entre quatro irmãos. A família viajou do Paraná até Campinas no domingo (10) para acompanhar os procedimentos de liberação do corpo e organizar o velório.
Defesa pede liberdade provisória

Em nota, a defesa de Daniel Barbosa Marinho afirmou que acompanhará as investigações e sustentou confiança na apuração técnica do caso.

“O que posso dizer sobre o ocorrido, enquanto defensor do Daniel, é que estarei acompanhando atentamente o caso e confiando plenamente na apuração técnica (pericial) e imparcial das circunstâncias”, afirmou o advogado.

A defesa também destacou que Daniel se apresentou espontaneamente às autoridades e colaborará com as investigações.

“Daniel se apresentou espontaneamente, em momento algum imaginou fuga, se apresentou ao comando da guarda municipal e colaborará com as investigações.”

O advogado declarou ainda que pretende insistir no pedido de liberdade provisória e afirmou que a versão apresentada pelo acusado será debatida durante o processo judicial.

“A dinâmica dos fatos, o que realmente ocorreu será debatido pela defesa nos autos, e duramente através das garantias da ampla defesa.”

Na manifestação, o defensor disse que evitará divulgar detalhes da versão do cliente neste momento, em respeito à vítima e aos familiares, além de aguardar os laudos periciais relacionados ao caso.

“É uma ocorrência extremamente sensível e grave, em especial por se tratar de feminicídio, que tem assolado nosso país, com pena que foi endurecida, portanto é fundamental que no devido processo legal se possa também lançar o olhar na ampla defesa para ao final se fazer justiça”.
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