Mario Frias se contradiz sobre dólares de Vorcaro em filme de Bolsonaro

Produtor-executivo do longa, o inexperiente ex-secretário de Cultura de Bolsonaro se enrola, cada hora fala uma coisa e enterra cada vez mais Flávio Bolsonaro

Mário Frias/Foto: Divulgação

Odeputado federal Mário Frias voltou a se pronunciar nesta quinta-feira (15) sobre a polêmica envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, produção brasileiro-americana sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Produtor-executivo do longa, Frias tentou explicar as divergências entre suas declarações e as do senador Flávio Bolsonaro após o vazamento de mensagens e áudios revelados pelo The Intercept Brasil.

A controvérsia começou depois que o portal divulgou conversas em que Flávio Bolsonaro cobrava do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master, o repasse de recursos para viabilizar o filme. Inicialmente, Mário Frias afirmou que a produção não havia recebido dinheiro de Vorcaro — declaração que entrou em choque com a versão apresentada pelo próprio senador, que admitiu ter procurado o empresário para tratar dos pagamentos.

“Interpretação sobre a origem formal do investimento”

Diante da repercussão, Frias publicou uma nova nota tentando afastar a acusação de contradição. Segundo ele, “não há contradição material entre os posicionamentos públicos sobre o financiamento do projeto, mas uma diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento”.

Na nova manifestação, o deputado afirmou que os pagamentos relacionados ao filme eram feitos por meio da empresa Entre Investimentos e Participações. De acordo com reportagem do The Intercept Brasil, a companhia teria sido utilizada por Daniel Vorcaro para realizar transferências ao fundo americano Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e ligado a um escritório que representa o deputado Eduardo Bolsonaro. Ainda segundo o portal, ao menos R$ 61 milhões teriam sido pagos na operação.

“Quando afirmei anteriormente que não há ‘um centavo do Master’ no filme, referia-me ao fato de que Daniel Vorcaro não é e nunca foi signatário de relacionamento jurídico, assim como o Banco Master nunca figurou como empresa investidora. O nosso relacionamento jurídico foi firmado com a Entre, pessoa jurídica distinta”, declarou Frias.

Apesar da justificativa, a nova versão reforça a contradição apontada após a divulgação dos áudios, já que o parlamentar havia negado qualquer ligação financeira de Vorcaro com o projeto, enquanto agora admite que os recursos chegaram por meio de uma empresa associada ao banqueiro.

Na nota, Mário Frias também negou participação societária dos filhos do ex-presidente na produção. “Reitero que o senador Flávio Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro não têm sociedade no filme nem na produtora ou com qualquer outra estrutura ligada ao filme, tendo apenas autorizado o uso de direitos de imagem da família. Também reafirmo que todo o dinheiro captado foi utilizado exclusivamente na produção do filme Dark Horse, projeto realizado com capital privado e sem qualquer recurso público”, concluiu.
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