Analista da BlackRock para a América Latina afirmou em conferência fechada em Nova York que Lula deve vencer em 2026; senador bolsonarista não apareceu na análise
Por: Diego Feijó de Abreu Publicado: 12/05/2026 - às 05h56| 4 min de leitura

Analista da Blackrock fala sobre Lula e não cita Flávio Bolsonaro - Fotomontagem: SEAUD/PR e Saulo Cruz/Agência Senado
Opresidente Luiz Inácio Lula da Silva apareceu como favorito à reeleição de 2026 em uma análise feita pela BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, durante conferência fechada com investidores em Nova York, nos Estados Unidos. No mesmo diagnóstico, o nome de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tratado pelo bolsonarismo como herdeiro eleitoral de Jair Bolsonaro, nem sequer entrou no radar.
A informação foi revelada por Thais Bilenky, em sua coluna no UOL. Segundo a jornalista, Aitor Jauregui, chefe da área de América Latina da BlackRock, afirmou no evento que Lula deve se reeleger, principalmente por causa dos indicadores da economia brasileira.
O peso da avaliação está no endereço e no emissor. A fala ocorreu em Nova York, diante de investidores, e partiu de um executivo da BlackRock, gigante financeira que informou ter US$ 13,9 trilhões sob gestão em 31 de março de 2026, segundo balanço divulgado pela própria companhia.
A avaliação desmonta, ao menos no olhar de parte do mercado internacional, a tese de que a disputa de 2026 já estaria reorganizada em torno do substituto natural de Jair Bolsonaro. O nome que apareceu no centro da análise foi Lula. O que ficou de fora foi justamente a aposta mais familiar do bolsonarismo: Flávio Bolsonaro.
O senador pelo Rio de Janeiro vem sendo apresentado por aliados como alternativa para manter vivo o espólio político do pai. Mas, na conferência relatada pela coluna, ele não foi tratado como variável decisiva da eleição presidencial.
A ausência chama atenção porque ocorre no momento em que pesquisas recentes passaram a mostrar com mais frequência um confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro. A Fórum vem trazendo os levantamentos que medem o desempenho dos dois em cenários nacionais para 2026.
Lula, economia e mercado internacional
O diagnóstico atribuído a Jauregui também reforça um ponto que interessa diretamente ao Palácio do Planalto: a economia voltou ao centro da leitura eleitoral feita fora do Brasil. Não se trata apenas de popularidade, rejeição ou guerra cultural. A análise da BlackRock liga a vantagem de Lula ao desempenho dos excelentes indicadores econômicos.
Esse é um terreno que o governo tenta explorar na largada da campanha. Lula busca associar sua candidatura à recuperação de renda, ao emprego e à estabilidade, enquanto a oposição tenta empurrar a disputa para temas de costumes e para a defesa de Jair Bolsonaro.
A Fórum já apontou esse embate em análises sobre a eleição de 2026. Em um dos cenários, a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro aparece como teste de força entre a continuidade do governo e a tentativa de reorganização da direita após a inelegibilidade de Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro fica fora do radar
O ponto mais incômodo para o bolsonarismo é que Flávio não foi atacado, criticado ou minimizado. Ele simplesmente não apareceu como eixo da análise. Para uma candidatura que depende de se apresentar como inevitável no campo da direita, a invisibilidade diante de investidores estrangeiros pesa.
A leitura feita em Nova York sugere que, no mercado internacional, Lula é a principal referência para entender a eleição brasileira. Flávio, por enquanto, aparece mais como aposta doméstica do bolsonarismo do que como personagem consolidado no radar de grandes investidores.
Isso não significa que a eleição esteja decidida. A campanha ainda não começou oficialmente, candidaturas podem mudar e o humor do eleitorado pode oscilar. Mas a fala atribuída ao analista da maior gestora do mundo mostra que, fora do Brasil, Lula segue sendo lido como o nome a ser batido em 2026.