Governo dos Estados Unidos tenta conter alta dos preços da carne enquanto rebanho norte-americano atinge o menor nível em 75 anos

Presidente Lula durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve assinar decretos para ampliar as importações de carne bovina, em uma decisão que pode beneficiar diretamente o Brasil, um dos maiores produtores e exportadores de carne do mundo. A medida busca conter a alta persistente dos preços da carne no mercado norte-americano e ocorre em meio à forte redução do rebanho bovino dos EUA.
A informação foi divulgada pela Reuters. Segundo uma autoridade da Casa Branca, os decretos também devem incluir ações de apoio à recomposição do rebanho bovino norte-americano, que caiu ao menor nível em 75 anos.
Embora a autoridade não tenha detalhado o conteúdo das medidas, o Wall Street Journal informou anteriormente que Trump suspenderia temporariamente as cotas tarifárias sobre a carne bovina, permitindo a entrada de um volume maior do produto nos Estados Unidos com tarifas mais baixas.
O jornal também informou que Trump deverá orientar a Administração de Pequenas Empresas a ampliar a oferta de crédito a pecuaristas. Outra iniciativa prevista seria a redução das proteções a lobos-cinzentos e lobos-mexicanos estabelecidas pela Lei de Espécies Ameaçadas de Extinção, sob o argumento de que esses animais atacam rebanhos.
Brasil ganha espaço no mercado norte-americano
A expectativa de aumento das importações de carne bovina brasileira já provocou reações no mercado futuro de gado nos Estados Unidos após o encontro entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada.
Na segunda-feira, os contratos futuros de gado vivo para junho na Bolsa Mercantil de Chicago chegaram a cair nas negociações iniciais, refletindo o temor de maior concorrência externa, mas recuperaram parte das perdas e encerraram o dia em leve alta.
O Brasil aparece como um dos principais potenciais beneficiados pelas medidas devido à sua posição de destaque global na produção e exportação de carne bovina. Em novembro do ano passado, Trump retirou a tarifa punitiva de 40% sobre a carne bovina e o café brasileiros, ampliando o acesso do país ao mercado norte-americano.
Antes disso, em outubro, o governo norte-americano já havia determinado a ampliação das importações de carne da Argentina.
Apesar das iniciativas, os preços seguem pressionados. Segundo o Índice de Preços ao Consumidor do Departamento do Trabalho dos EUA, a carne bovina ficou 12,1% mais cara em abril na comparação anual. Desde o retorno de Trump à Presidência, em janeiro de 2025, os preços acumulam alta superior a 16%.
Crise no rebanho pressiona preços nos EUA
O rebanho bovino norte-americano caiu ao menor patamar em 75 anos após anos de seca persistente, que devastaram pastagens e elevaram os custos de alimentação do gado. Os altos preços também estimularam os pecuaristas a venderem animais para abate em vez de mantê-los para reprodução.
Diante desse cenário, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos projeta que o país importará um recorde de 2,6 milhões de toneladas de carne bovina em 2026, um aumento de cerca de 6% em relação a 2025 e de 25% na comparação com 2024.
Grande parte dessas importações corresponde a cortes magros utilizados na produção de carne moída, amplamente consumida no país.
O economista agrícola David Anderson, da Universidade Texas A&M, afirmou à Reuters que o aumento das importações pode ajudar redes de hamburguerias e restaurantes a reduzir custos, mas demonstrou ceticismo sobre uma queda significativa nos preços ao consumidor.
“Já estávamos importando uma quantidade recorde. Quanto mais isso vai adicionar ao que já importávamos?”, disse Anderson. “Tenho dificuldade em imaginar que isso terá um grande impacto nos preços. Seria difícil que isso representasse um grande aumento na oferta.”