Moeda americana fecha abaixo de R$ 4,90 pela primeira vez desde janeiro de 2024, impulsionada por cenário externo favorável e fortalecimento do real
09 de maio de 2026.

Dólar derrete e reflete sucesso da política econômica de Lula (Foto: Brasil 247)
247 – O dólar à vista encerrou esta sexta-feira em forte queda frente ao real e fechou abaixo de R$ 4,90 pela primeira vez desde janeiro de 2024, em mais um movimento que reforça a confiança do mercado na economia brasileira sob o governo do presidente Lula. A moeda americana caiu 0,59% no dia, encerrando negociada a R$ 4,8942, após atingir mínima de R$ 4,8902.
As informações foram publicadas pelo jornal Valor Econômico. Na semana, o dólar acumulou desvalorização de 1,16%, em um contexto marcado pelo enfraquecimento global da moeda americana, melhora na percepção de risco internacional e fortalecimento das moedas de países emergentes, especialmente o real brasileiro.
Além do ambiente externo mais favorável, analistas apontam que o Brasil tem se beneficiado da combinação entre juros ainda elevados, melhora nos termos de troca e maior fluxo de capital para mercados emergentes. O resultado reforça a percepção de maior estabilidade econômica e confiança nos fundamentos do país.
Ao longo do pregão, o dólar operou em queda contínua diante do real. O movimento ganhou força após a divulgação de dados mais fracos sobre o ganho salarial nos Estados Unidos, o que aumentou as apostas de um enfraquecimento da economia americana e pressionou a moeda dos EUA no mercado internacional.
No exterior, o índice DXY — que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes — recuava 0,20%, aos 97,872 pontos perto do fechamento dos mercados. A maioria das moedas líquidas avançava frente ao dólar, mas o real teve um dos melhores desempenhos do dia.
A melhora do cenário geopolítico também ajudou a reduzir a aversão ao risco global. Mesmo sem novos avanços concretos nas negociações entre Estados Unidos e Irã, investidores permaneceram otimistas, favorecendo ativos de maior risco e moedas emergentes.
Outro fator importante para o fortalecimento do real foi a sustentação dos preços das commodities em níveis elevados, beneficiando países exportadores como o Brasil. A combinação entre fluxo externo favorável e melhora das contas externas brasileiras contribuiu para a valorização da moeda nacional.
O mercado também interpretou que a recente volatilidade do câmbio estava menos ligada a intervenções do Banco Central e mais associada a ajustes pontuais de posição. Em relatório, Dev Ashsh, economista sênior do Société Générale, avaliou que as medidas do BC tiveram impacto limitado.
"Na prática, a medida introduz um leve impacto negativo de curto prazo sobre o real, com possibilidade de novas operações de swap táticas caso os ganhos se acelerem; a direção geral do câmbio e das taxas de juros locais continua dominada por fatores globais, com impacto limitado nas taxas de segunda ordem", afirmou.
A valorização do real levou instituições financeiras a reverem suas projeções para o câmbio. O BTG Pactual reduziu sua estimativa para o dólar no fim de 2026 de R$ 5,20 para R$ 4,90.
Segundo a economista Iana Ferrão, do banco, o cenário ficou mais favorável para a moeda brasileira.
"A revisão reflete uma combinação mais favorável para o real: o dólar global segue com viés de enfraquecimento, ainda que com episódios pontuais de aversão a risco; o choque de commodities melhora significativamente os termos de troca e a posição relativa do Brasil entre emergentes; e o diferencial de juros ainda elevado continua sustentando o carrego", destacou.
O BTG também avaliou que, apesar de o real continuar sendo uma moeda de alta volatilidade, o desempenho recente ocorreu com relativa estabilidade no curto prazo. De acordo com Ferrão, a moeda brasileira segue sensível ao cenário internacional, aos preços das commodities e ao fluxo global para países emergentes.
"A volatilidade realizada de 20 dias do real, em 9,1% anualizada, não está entre as mais altas da amostra, mas em janelas mais longas o real volta ao grupo de maior volatilidade", afirmou.
Para analistas do mercado, a queda do dólar reforça a percepção de que o Brasil atravessa um momento de fortalecimento macroeconômico, sustentado pelo crescimento da atividade, recuperação da confiança e melhora da imagem do país no cenário internacional durante o governo Lula.