A vitória histórica de Lula e o fim da escala 6x1: um novo país é possível



A aprovação da proposta que regulamenta a jornada de trabalho 5x2, revogando a cruel escala 6x1, inscreve-se como uma dessas raras medidas que são um divisor histórico.

Não se trata de um mero ajuste legislativo, mas de um desbravamento de novas possibilidades de vida para uma imensa massa trabalhadora.

Especialmente para os trabalhadores mais humildes, aqueles descamisados sempre referidos por Leonel Brizola, de quem quase ninguém se lembra.

Os homens e mulheres de ofícios sacrificados, da limpeza, da construção, do comércio, dos serviços, finalmente veem a promessa de um descanso que não seja apenas o sono apressado antes de mais seis dias de exaustão.

É uma grande medida criadora de um novo tempo, um resgate da linha evolutiva do reconhecimento dos direitos humanos do trabalho, há muito interrompida por décadas de retrocesso.

Com essa lei, o presidente Lula ombreia-se a Getúlio Vargas, o criador da CLT, o modernizador do Brasil.

Assim como houve um antes e um depois de Getúlio na consolidação dos direitos trabalhistas, instala-se agora um antes e um depois de Lula na história do trabalho no país.

Ambos tiveram de romper resistências heroicas, enfrentar as mesmas forças que sempre se opuseram aos trabalhadores.

Ambos foram visionários que não apenas anteviram, mas arriscaram concretamente suas vidas em defesa da ideia de que um mundo melhor é possível, recusando a omissão confortável que paralisa tantos governos.

Lula viu contra si os velhos adversários de sempre, mas usou com sagacidade os espaços abertos pelo ano eleitoral para costurar uma esmagadora maioria pluripartidária.

Foram 472 votos a favor e apenas 22 contra, na primeira votação, confirmada em seguida.

O governo, longe de estar fraco, isolado ou à beira do colapso, como apregoavam os diagnósticos politicamente interessados, mostrou-se capaz de criar consenso inédito em torno de uma mudança estruturante.

A jornada diminui, sem perda de salário.

O trabalhador ganha mais tempo para o descanso, a família, o lazer e a cultura.

Haverá aumento relativo da renda disponível e, consequentemente, do consumo.

Desabam fragorosamente as narrativas interessadas de um governo paralisado, inviável, à beira do colapso.

A articulação política do Planalto, tão injustamente demonizada, demonstrou que é possível, mesmo numa correlação de forças numericamente adversa no Parlamento, promover transformações amplas.

Constrói-se nesse episódio uma aliança do Executivo com o Legislativo, na expectativa de que a proposta venha a ser aprovada também no Senado.

Trabalhadores e sindicatos, depois de anos de recuos e de verem seus direitos esgarçados, impuseram finalmente sua antiga reivindicação.

Que esse resgate da voz do movimento sindical (berço político onde o presidente se forjou) se dê em meio a uma conjuntura muito difícil, após anos de desmonte do arcabouço legal de proteção ao trabalho, só aumenta a relevância da conquista.

Foi preciso ler com sagacidade a janela criada pelo calendário eleitoral. Além da redução da escala, o governo aprovou muitas outras medidas transformadoras, como a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil (com redução efetiva para a faixa de até R$ 7.350), a ampliação de vários programas sociais e a primeira fase da reforma tributária.

Mudanças tão amplas, numa situação de correlação de forças no Congresso tão desfavorável, só foram possíveis graças às virtudes únicas do presidente Lula: sua capacidade de unir pressão, negociação e diálogo para, a despeito dos céticos, cínicos e opositores, transformar o país.

Lula não apenas governa; ele cria época.

E os trabalhadores, sobretudo os mais humildes, podem enfim dizer que têm um presidente que se lembra primordialmente de quem suja as mãos.

Conteúdo postado por: Redação Brasil 247
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