Morre Luis Fernando Verissimo, aos 88 anos, em Porto Alegre

Autor de mais de 70 livros e referência no humor literário, Verissimo deixa a mulher, Lúcia Helena Massa, três filhos e dois netos

Luiz Fernando Veríssimo.Créditos: Divulgação

O escritor e cronista Luis Fernando Verissimo, um dos maiores nomes da literatura brasileira contemporânea, morreu neste sábado (30), aos 88 anos, em Porto Alegre. A informação foi divulgada pelo portal G1. Autor de mais de 70 livros e referência no humor literário, Verissimo deixa a mulher, Lúcia Helena Massa, três filhos e dois netos.
Filho de Érico Verissimo, herdeiro da escrita leve

Nascido em Porto Alegre, em 26 de setembro de 1936, Verissimo cresceu em um ambiente profundamente marcado pela literatura. Era filho do romancista Érico Verissimo, autor da saga O Tempo e o Vento. “O pai foi um dos primeiros escritores brasileiros a escrever de uma maneira mais informal. E eu acho que herdei um pouco isso”, disse em uma entrevista.

Além da literatura, Verissimo era apaixonado por jazz e pelo Internacional, clube ao qual dedicou inúmeras crônicas e o livro Internacional, Autobiografia de uma Paixão. Sobre sua primeira experiência em um estádio, relatou: “Dava para ver as feições, sentir a respiração deles. Eu estava vendo as cores do jogo, uma sensação completamente diferente. Nunca vou me esquecer também do cheiro de grama”.

Do jornalismo à consagração

Sua carreira começou em 1966, como revisor no jornal Zero Hora. Sete anos depois, lançou o primeiro livro, O Popular (1973). A consagração viria com obras que venderam mais de 5,6 milhões de exemplares, como Comédias da vida privada, As mentiras que os homens contam e Comédias para se ler na escola.

Verissimo também deixou sua marca na televisão. Foi roteirista da TV Pirata e teve crônicas adaptadas para a série Comédias da vida privada, exibida pela Globo nos anos 1990. Personagens como o detetive Ed Mort, o Analista de Bagé e a Velhinha de Taubaté entraram para o imaginário popular brasileiro.
O escritor tímido e o cronista universal

Apesar da fama, Verissimo mantinha vida discreta. “Tenho horror de fazer isso que estou fazendo agora: dar entrevista, falar em público e tal. Eu sempre digo que não dominei a arte de falar e escrever ao mesmo tempo”, confessou em entrevista à RBS TV.

A timidez, no entanto, não o impediu de se tornar cronista em jornais de grande circulação, como O Estado de S. Paulo, O Globo e Zero Hora. “Essa é uma das vantagens da crônica. A gente pode ser o que quiser escrevendo uma crônica”, afirmou certa vez.
Humor e crítica social

Irônico e irreverente, fez de aniversários, futebol e política matéria-prima para reflexões universais. Ao completar 80 anos, brincou: “Têm sido tão agradáveis as homenagens, inclusive da família, que eu tô pensando em fazer 80 anos mais vezes”.

Entre as muitas passagens sobre futebol, registrou em crônica o título mundial do Internacional em 2006: “Vejo como o triunfo do Gabiru, o grande herói que era criticado. Foi um momento de sonho”.
Um legado duradouro

Com uma escrita que misturava humor, crítica social e lirismo, Luis Fernando Verissimo tornou-se um dos autores mais lidos do país. Sua obra permanece presente em salas de aula, nos jornais e nas adaptações para TV, atravessando gerações.

Ainda não há informações sobre o velório e o sepultamento do escritor.

Fonte: https://revistaforum.com.br/
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