Ex-marido da senadora Marta Suplicy por 37 anos, o senador Eduardo
Suplicy também está prestes a deixar de ser colega de bancada da petista. O
parlamentar vai deixar o Senado após três mandatos e 24 anos de atuação
representando o Estado de São Paulo no Congresso.
Para ele, o PT precisa "refletir" sobre o que Marta disse em
entrevista publicada no domingo, 11, pelo jornal O Estado de S. Paulo. "Ou
o PT muda, ou acaba", disse a senadora, ex-ministra dos governos Luiz
Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff e ex-prefeita de São Paulo.
Suplicy concorda que algo precisa ser feito, mas prefere um caminho
diferente da ex-mulher, que está de saída do partido. "Muita gente já me
sugeriu deixar o PT. Mas eu continuo acreditando nos propósitos do estatuto. Eu
me sinto responsável por tentar prevenir e corrigir os erros do partido e
dentro do partido do qual fui fundador e sou senador até agora."
"Acho importante que todos nós do PT façamos uma reflexão de
profundidade a respeito (das declarações de Marta). Fato é que todos nós temos
sofrido e nos preocupado com as inúmeras notícias relativas a acontecimentos
com membros do PT, ou da própria administração, a exemplo do que ela citou
sobre a Petrobras. E com respeito a todos os episódios, inclusive o que
caracterizaram o julgamento da ação penal 470, o mensalão. A soma desses
problemas obviamente requer uma atitude de nossa parte que é a de procurar
prevenir e corrigir os erros. Eu tenho procurado agir nesse sentido", diz
o senador.
Para Suplicy, a presidente Dilma Rousseff vem tomado "as medidas
necessárias" para a apuração e responsabilização dos que praticaram essas
irregularidades e a devida providência junto ao Ministério Público e à Justiça.
Segundo ele, Marta poderia contribuir para a transformação do partido "na
direção de tudo aquilo que nós representamos ao longo da história."