O primeiro Dia Internacional da Mulher foi comemorado em 28 de fevereiro de 1909, nos Estados Unidos, por iniciativa do Partido Socialista da América. Naquela época, as condições de trabalho eram extremamente precárias nas fábricas e eram frequentes os protestos, que aconteciam em vários lugares do mundo, organizados por trabalhadores (incluindo mulheres).
A comemoração tinha o objetivo de homenagear e marcar a memória do protesto ocorrido em função das más condições de trabalho que enfrentavam as operárias da indústria têxtil de Nova York.
Elas, que trabalhavam 14 horas por dia e ganhavam de US$ 6 a US$ 10 por semana - 60% menos que os homens - tentavam entrar em acordo com a fábrica, que se negou a negociar e aumentar os salários das mulheres. O desfecho da manifestação, que sofreu intervenção da polícia, foi violento; e as tecelãs não conseguiram o que pretendiam.
Marcado pela tragédia
No ano seguinte aconteceu o "Woman's day" (Dia da Mulher) em Nova York. A comemoração, que contou com a presença de três mil mulheres, reuniu militantes e operárias que desejavam melhores condições de vida, de trabalho e o direito ao voto. Também em 1910, houve a primeira conferência internacional de mulheres, na Dinamarca. Nessa ocasião, foi aprovada a proposta da socialista alemã Clara Zetkin, que sugeriu que o "Woman's day" se tornasse uma comemoração anual e mundial. Assim foi aceita a ideia de se criar um Dia Internacional da Mulher, ainda que sem uma data definida para isso.
Na sequência, uma tragédia marcou a história de Nova York e da luta das mulheres em 25 de março de 1911. Um incêndio, causado por problemas de segurança, matou 146 trabalhadoras da fábrica Triangle Shirtwaist, sendo a grande maioria costureiras. Esse foi considerado o pior incêndio que já existiu na cidade até o ataque terrorista do 11 de setembro de 2011.
Até então, vários países comemoravam o dia internacional da mulher em datas aleatórias, mas após o ocorrido em 8 de março na Rússia - que uniu 90 mil trabalhadores em greve, sendo a grande maioria mulheres - , oficializou-se, a partir de 1922, a então data para a celebração.As comemorações do Dia Internacional da Mulher também foram o estopim da Revolução Russa de 1917. Em 8 de março daquele ano, a insatisfação das operárias e a greve contra a fome, o imperador Nicolau II e a participação do país na Primeira Guerra Mundial contribuiram significativamente para que houvesse a Revolução de Fevereiro e o reconhecimento da mulher enquanto figura de poder social.
Da década de 10 em diante, aos poucos, a data que inicialmente tinha um forte cunho político e revolucionário e que celebrava o heroísmo feminino tornou-se mais romantizada e a mulher passou a ser homenageada por outras características, como amorosidade e gentileza. Essa mudança de foco justifica o surgimento da tradição de se presentear, nesta data, a mulher com flores e chocolates.
As transformações de enfoque ao longo dos anos - causada em grande parte por influência da cultura ocidental - favoreceu muito a associação da data ao comércio e, por consequência, ao consumismo. Por conta disso, as ideias de libertação e autonomia feminina, que seriam as reais causas da homenagem, perderam seu destaque na celebração.
