Operação conjunta reúne Idaf, Sesacre, Vigilância Epidemiológica, Secretaria Municipal de Saúde, Hospital Sansão Gomes e Corpo de Bombeiros para proteger a população e os rebanhos
A confirmação de um caso de raiva bovina na zona rural de Tarauacá desencadeou uma ampla força-tarefa entre o Governo do Estado do Acre e a Prefeitura de Tarauacá. As ações envolvem profissionais do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf), da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), da Vigilância Epidemiológica Municipal, da Secretaria Municipal de Saúde, do Hospital Dr. Sansão Gomes e do Corpo de Bombeiros Militar.
Durante entrevista concedida ao programa Bom Dia Tarauacá, o apresentador Raimundo Accioly recebeu a médica veterinária Júlia Galdino, do Núcleo de Zoonoses da Sesacre; a médica veterinária Maria do Carmo Portela, do Idaf e da Sesacre; e o coordenador da Vigilância Epidemiológica de Tarauacá, Kalil, que apresentaram à população todas as medidas que já estão sendo executadas para impedir a propagação da doença.
Logo após a confirmação laboratorial do caso, os órgãos estaduais e municipais colocaram em prática o protocolo previsto para situações de emergência sanitária.
Segundo a médica veterinária Júlia Galdino, a prioridade é proteger a população humana e impedir a circulação do vírus na área onde ocorreu o foco.
Na região afetada foi estabelecido um bloqueio sanitário, impedindo a entrada e saída de animais suscetíveis enquanto as investigações são concluídas. A medida busca conter a disseminação da doença e garantir maior segurança aos produtores rurais.
Júlia também tranquilizou a população ao explicar que os produtos oriundos de frigoríficos seguem rígidos controles sanitários e que todas as medidas necessárias estão sendo adotadas pelos órgãos competentes.
Vacinação humana e animal começa imediatamente
Uma das principais medidas anunciadas é a realização de uma grande ação de vacinação na região do foco.
As equipes da Secretaria de Estado de Saúde e da Secretaria Municipal de Saúde irão realizar:
vacinação antirrábica de cães e gatos nas comunidades localizadas no raio de cinco quilômetros da propriedade onde ocorreu o caso;
vacinação preventiva das pessoas residentes na área considerada de risco;
investigação epidemiológica para identificar moradores que tiveram contato com animais suspeitos;
acompanhamento médico das pessoas expostas ao vírus.
Os pacientes que tiveram contato direto com o bovino infectado receberão, além da vacina, o soro antirrábico conforme os protocolos do Ministério da Saúde.
Hospital Sansão Gomes está preparado
Outro anúncio importante feito durante a entrevista foi que o Hospital Dr. Sansão Gomes já recebeu todas as orientações técnicas para atender possíveis pacientes encaminhados pelas equipes de campo.
Após a primeira avaliação hospitalar, os moradores continuarão o esquema vacinal na Unidade Básica de Saúde Porto Marques, que será a unidade de referência para as comunidades da região afetada.
O coordenador da Vigilância Epidemiológica, Kalil, informou que as ações começaram imediatamente após a confirmação do caso.
As equipes atuarão principalmente:
no Ramal do Chulude, onde foi identificado o foco;
no Ramal do Manoel do Rádio;
na região do Pixilinga;
nas comunidades localizadas dentro do raio de cinco quilômetros da propriedade afetada.
Além da vacinação domiciliar de cães e gatos, serão realizados encontros comunitários para vacinação humana e orientação dos moradores.
Um dos pontos mais enfatizados pela médica veterinária Maria do Carmo Portela foi a importância da notificação imediata de qualquer suspeita.
Ela explicou que muitos produtores ainda deixam de comunicar casos suspeitos por receio de sofrer multas ou outras penalidades.
Segundo ela, essa preocupação não procede.
O trabalho do Idaf é proteger os rebanhos e a população, investigando rapidamente qualquer ocorrência de animais com sintomas neurológicos, dificuldade para caminhar, salivação excessiva ou ataques de morcegos hematófagos.
Maria do Carmo reforçou que o órgão possui prazo de até 24 horas para atender as notificações e iniciar as medidas de controle.
Saúde pública é a maior preocupação
Embora a doença provoque prejuízos econômicos aos produtores rurais, os técnicos ressaltaram que a principal preocupação é evitar casos humanos.
A raiva é uma doença viral extremamente grave e praticamente sempre fatal após o aparecimento dos sintomas.
Por isso, qualquer pessoa que tenha manipulado animais suspeitos ou sofrido mordidas de morcegos deve procurar imediatamente atendimento médico.
A vacinação preventiva continua sendo a principal forma de proteção tanto para animais quanto para seres humanos.
Apelo à população
Os representantes do Governo do Estado e da Prefeitura fizeram um apelo para que moradores e produtores rurais recebam as equipes de saúde e do Idaf durante as visitas às propriedades.
Também pediram que cães e gatos sejam apresentados para vacinação e que qualquer animal apresentando sintomas suspeitos seja imediatamente comunicado ao Idaf.
Kalil destacou ainda que recentemente equipes encontraram resistência em algumas comunidades para vacinar animais domésticos, situação que compromete a cobertura vacinal e aumenta o risco de novos casos.
Trabalho integrado
As autoridades destacaram que o enfrentamento da doença conta com o apoio de diversos órgãos públicos.
Além do Idaf, Sesacre, Vigilância Epidemiológica e Secretaria Municipal de Saúde, participam da operação o Hospital Dr. Sansão Gomes, o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) de Cruzeiro do Sul e o Corpo de Bombeiros Militar, que auxilia o deslocamento das equipes aos ramais por meio de quadriciclos e outros veículos apropriados.
Informação e prevenção caminham juntas
Ao final da entrevista, os profissionais reforçaram que a situação está sendo acompanhada de forma permanente e que todas as medidas previstas pelos protocolos sanitários já estão em execução.
A orientação permanece a mesma: qualquer suspeita de raiva deve ser comunicada imediatamente ao Idaf ou à Vigilância Epidemiológica, permitindo uma resposta rápida das equipes e reduzindo os riscos para os rebanhos, para a economia rural e, principalmente, para a saúde da população de Tarauacá.



