
Foto: Sérgio Vale
Sob forte comoção, o sepultamento de Alzenir Pereira, 53 anos, vítima do ataque a tiros ocorrido no Instituto São José, foi realizado na tarde desta quarta-feira (06), no Cemitério São João Batista, em Rio Branco (AC). O momento foi marcado por homenagens simbólicas, entre elas a soltura de balões brancos, levados por familiares como gesto de despedida e pedido de paz.
O cortejo fúnebre saiu do local do velório acompanhado por parentes, amigos e moradores, que caminharam em silêncio até o cemitério. Ao longo do trajeto, o clima foi de luto coletivo, refletindo o impacto da tragédia que abalou a capital acreana.

Foto: Sérgio Vale
Já no cemitério, a chegada do corpo foi acompanhada por aplausos tímidos e lágrimas. Familiares carregavam balões brancos, símbolo de paz, que foram erguidos durante a despedida final.
A cerimônia de sepultamento reuniu pessoas próximas à vítima, além de membros da comunidade que acompanharam o caso desde o ataque. Muitos se abraçaram e buscavam consolo mútuo diante da perda.
O sepultamento de Alzenir ocorreu um dia após o atentado que deixou duas pessoas mortas e feridas na capital.
Mais cedo, a comunidade se reuniu para prestar as últimas homenagens à vítima. O ato foi conduzido pelo padre Lânio Maximin, que, ao longo de sua fala, buscou acolher a dor dos presentes e oferecer palavras de consolo em meio ao sofrimento coletivo.

Foto: Sérgio Vale
Logo no início, o sacerdote reconheceu o caráter trágico do momento e a dificuldade de expressar sentimentos diante de uma perda violenta. “Às vezes, é o nosso silêncio que fala mais alto”, afirmou, ao se dirigir a parentes, vizinhos e colegas de trabalho da vítima. Segundo ele, a despedida acontece em meio a um “mistério de amor”, que mistura dor, saudade e a necessidade de encontrar sentido diante da morte.
Em um dos trechos mais marcantes da homilia, o padre destacou que a violência gera não apenas tristeza, mas também revolta e questionamentos profundos. Ele afirmou que é natural que, diante de uma morte brutal, as pessoas se sintam indignadas e até mesmo questionem a fé.
“Diante dessa realidade, nós fazemos muitas perguntas difíceis. Manifestamos a nossa indignação. Podemos até questionar Deus, acusar Deus”, disse. No entanto, ele reforçou uma mensagem central da tradição cristã: a de que Deus não está distante do sofrimento humano. “Deus é aquele que sofre conosco”, completou.